Em um intervalo de pouco mais de uma semana, dois episódios distintos envolvendo o uso indevido de informações sob responsabilidade de órgãos públicos chamaram atenção no Maranhão. No primeiro caso, o Banco Central comunicou um incidente relacionado a um sistema operado pela Polícia Civil do Maranhão, utilizado para consultas de dados do Pix. No segundo, uma operação da Polícia Federal, realizada no último dia 19 de junho, apura a suspeita de que um agente da corporação teria repassado informações sigilosas sobre investigações a terceiros.
No último 12 de junho, conforme noticiado pelo Café Quente Notícias, o Banco Central do Brasil tornou público um incidente de segurança envolvendo um sistema operado pela Polícia Civil do Maranhão, utilizado para consultas de informações cadastrais vinculadas às chaves Pix.
Segundo o comunicado oficial da autoridade monetária, houve acesso não autorizado ao sistema, resultando na exposição de dados cadastrais básicos relacionados às chaves Pix. O Banco Central ressaltou, porém, que não foram comprometidos dados sensíveis, como senhas, saldos, extratos, movimentações financeiras ou informações completas de contas bancárias.
Na ocasião, o BC informou ainda que o episódio permanecia sob investigação e que adotaria medidas para apuração detalhada dos fatos.
Agora, pouco mais de uma semana depois, um novo caso envolvendo suposto vazamento de informações sigilosas ganhou repercussão no estado. De acordo com informações divulgadas pelo site Os Analistas e pelo jornalista Filipe Mota, uma operação realizada pela Polícia Federal no dia 19 de junho cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de um agente da própria corporação, no Maranhão.
Ainda segundo essas informações, a medida teria sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desdobramento de investigações que tramitam sob sigilo.
As publicações afirmam que o agente é suspeito de repassar informações sigilosas sobre operações da Polícia Federal a políticos e até a um secretário do governo estadual, permitindo que essas pessoas pudessem se antecipar às ações policiais.
Conforme o relato divulgado pelo site Os Analistas e pelo jornalista Felipe Mota, o servidor teria sido afastado de suas funções e estaria respondendo a procedimento administrativo que poderá resultar em sua exoneração.
Embora tratem de fatos distintos e conduzidos por instituições diferentes, os dois episódios colocam em evidência a importância dos mecanismos de controle sobre o acesso a sistemas públicos e da proteção de informações sob responsabilidade de agentes estatais.


