A montagem de chapa para o senado se transformou no maior quebra-cabeças para os pré-candidatos ao governo do Maranhão. Não bastasse o cenário difuso com grande número de candidaturas postas e quase 90% do eleitorado ainda indeciso sobre quem votar para esse cargo , o deputado federal Duarte Júnior, sem perspectivas claras de vitória nas eleições para a Câmara dos Deputados, decidiu se posicionar como como mais um postulante ao cargo.
Duarte não inventou sozinho uma pré-candidatura ao senado. Ligado ao poderoso grupo Lemann, ele deve entrar na disputa ancorado em uma pesquisa do instituto internacional Atlas Intel que atua com levantamento eleitoral justamente numa arena em que Duarte domina: o ambiente digital.
Duarte conta, ainda, com a simpatia de setores poderosos do Palácio dos Leões, onde o grupo do governador enfrenta forte indecisão sobre a montagem de chapa para o Senado. A indefinição sobre a indicação da Federação União Brasil para compor a chapa e o forte impacto de denúncias contra Weverton no caso do INSS, ampliam incertezas, levando o grupo do governador Carlos Brandão a cogitar a possibilidade concreta de lançar mais de dois nomes para o senado.
Mas de fato, como a presença de Duarte impacta na disputa para o senado?
A entrada de Duarte Júnior como candidato ao Senado situado no campo do centro político representa um desafio. O deputado tem uma imagem mais leve e uma militância mais organizada em São Luís, o que facilita sua conexão com o eleitorado de centro, cansado da polarização. Duarte se coloca hoje como uma alternativa mais palatável e com maior capacidade de atração dentro desse espectro político, porque também tem tido o cuidado de abrir negociação com o próprio Braide, com quem divide a preferência junto ao eleitorado de centro.
Para a direita bolsonarista, a candidatura de Duarte pode ser estratégica porque ajuda a fragmentar ainda mais o campo do centro e da centro-esquerda, onde há uma multiplicidade de candidaturas. Com esse cenário de dispersão de votos, Roberto Rocha tem a vantagem de contar com uma base sólida do eleitorado tradicional, que é majoritariamente bolsonarista. Esse eleitor tende a identificar de modo mais claro a figura de Roberto no espectro direitista.
Na esquerda, a candidatura de Duarte Júnior representa um desafio considerável, especialmente para a senadora Eliziane Gama, candidata do PT a reeleição e alinhada ao projeto de Lula no Maranhão. Duarte tem uma presença significativa na região metropolitana de São Luís e em outros grandes centros urbanos, onde o eleitorado lulista é mais forte. Sua influência nessas áreas pode resultar em uma fragmentação dos votos que naturalmente seriam destinados a Eliziane, prejudicando sua capacidade de consolidar uma base sólida nesses territórios cruciais. Para a senadora, que precisa garantir visibilidade e votos expressivos nessas regiões urbanas para se afirmar como a principal representante da esquerda no estado, a competição com Duarte Júnior é um fator de risco.
Trocando em miúdos: a entrada de Duarte Júnior no cenário representa um embaralhamento do jogo de forma muito ampla, afetando todos os espectros políticos e demais pré-candidatos.

