Palácio dos Leões - sede do Governo do Estado do Maranhão - construção de 1766 Local: São Luís - MA Data: 03/2014 Codigo: 12CD019 Autor: Cesar Diniz
Experiência administrativa, força de grupos políticos, apoio presidencial e discurso de renovação diferenciam os candidatos que entram na corrida pelo Palácio dos Leões
A campanha eleitoral começa oficialmente no Maranhão com uma disputa pelo Governo marcada não apenas pela quantidade de candidatos, mas, sobretudo, pela diversidade de trajetórias, alianças e projetos políticos colocados diante do eleitorado.
São oito nomes na corrida pelo Palácio dos Leões: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO).
Embora todos tenham agora o mesmo desafio — conquistar o voto dos maranhenses —, chegam à campanha por caminhos bastante diferentes. Há desde políticos com décadas de experiência e mandatos nas três esferas do Legislativo até candidatos que se apresentam como alternativas ao sistema político tradicional.
O cenário inicial coloca especialmente sob os holofotes Braide, Orleans e Camarão, que representam projetos políticos distintos e concentram boa parte das atenções na largada da campanha.
Eduardo Braide aposta no peso da experiência administrativa
Aos 50 anos, Eduardo Braide (PSD) chega à disputa pelo Governo do Maranhão carregando uma das trajetórias eleitorais mais consolidadas entre os candidatos.
Advogado, Braide presidiu a Caema, exerceu dois mandatos de deputado estadual, passou pela Câmara dos Deputados e comandou a Prefeitura de São Luís por mais de cinco anos.
Sua passagem pela administração da capital constitui o principal ativo político apresentado na campanha. Braide procura transformar a experiência acumulada à frente de São Luís em credencial para administrar o Estado, apostando numa imagem de gestor e em uma base eleitoral construída principalmente na capital.
Depois de anos de protagonismo na política municipal, chega à corrida estadual com estrutura própria e nível elevado de conhecimento junto ao eleitorado.
No plano nacional, está partidariamente ligado ao projeto presidencial de Ronaldo Caiado, também do PSD. No Maranhão, entretanto, procura preservar um perfil de maior independência em relação às tradicionais estruturas políticas estaduais.
Sua candidatura parte, portanto, de uma combinação de experiência eleitoral, gestão administrativa e capital político próprio, elementos que fazem dele um dos principais personagens da sucessão estadual.
Orleans Brandão tenta transformar força do Governo em projeto próprio
Se Braide chega à campanha sustentado por uma carreira política já consolidada, Orleans Brandão (MDB) representa uma geração mais jovem e tem diante de si um desafio diferente.
Administrador de empresas e empresário, aos 31 anos Orleans construiu sua projeção política dentro do Governo do Estado. Sobrinho do governador Carlos Brandão, ganhou espaço ao assumir a Secretaria de Assuntos Municipalistas e intensificar a relação do Palácio dos Leões com prefeitos e lideranças de diferentes regiões do Maranhão.
Essa atuação contribuiu para transformá-lo em uma das figuras mais presentes na articulação política do Governo junto aos municípios.
Seu projeto inicial era disputar uma vaga de deputado federal. A mudança no tabuleiro político estadual, especialmente após o rompimento entre o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão, alterou os planos.
Orleans acabou escolhido como candidato governista à sucessão.
A candidatura chega, assim, sustentada pela estrutura política construída pelo grupo de Carlos Brandão e por uma extensa articulação municipalista. Ao mesmo tempo, traz consigo um dos principais desafios de sua campanha: construir uma identidade eleitoral própria e demonstrar ao eleitor que sua candidatura vai além da relação familiar com o governador.
Na prática, Orleans entra na disputa tentando transformar a força política do grupo governista em um projeto pessoal capaz de se consolidar diante do eleitorado.
Felipe Camarão leva currículo público e apoio de Lula para a campanha
Aos 44 anos, Felipe Camarão (PT) apresenta uma trajetória essencialmente ligada ao serviço público.
Advogado, procurador federal e professor universitário, acumulou passagens por áreas importantes da administração estadual. Comandou o Procon e ganhou maior projeção política à frente da Secretaria de Estado da Educação.
Posteriormente eleito vice-governador, durante anos foi tratado como um dos nomes naturais para a sucessão de Carlos Brandão. O rompimento político com o governador mudou completamente essa trajetória e colocou os antigos aliados em campos adversários.
Camarão chega agora à eleição como candidato do PT e adversário direto do grupo instalado no Palácio dos Leões.
Seu maior ativo político nacional é o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da direção nacional petista. A campanha deverá explorar justamente essa ligação, especialmente em um estado no qual Lula historicamente registra forte desempenho eleitoral.
Ao mesmo tempo, Camarão procura colocar seu currículo administrativo e sua experiência na gestão pública no centro do discurso eleitoral.
Sua candidatura reúne, portanto, dois elementos considerados estratégicos: a identificação com o presidente Lula e uma trajetória construída em cargos de destaque na administração estadual.
Tem como candidato a vice o vereador de Caxias Ricardo Rodrigues (PT).
Roberto Rocha retorna à disputa com experiência e discurso de oposição
Entre os concorrentes, Roberto Rocha (PRTB) apresenta um dos currículos políticos mais extensos.
Administrador e empresário, aos 61 anos, já exerceu mandato de deputado estadual, três mandatos de deputado federal, foi vice-prefeito de São Luís e senador da República.
A eleição de 2026 representa sua terceira tentativa de chegar ao Governo do Maranhão.
Ao longo da carreira, Roberto Rocha passou por diferentes posições no espectro político e, nesta disputa, apresenta-se identificado com a direita e como adversário dos principais grupos que comandaram o Estado nos últimos anos.
Seu discurso combina críticas à classe política maranhense com uma agenda voltada ao desenvolvimento econômico. A candidatura também está alinhada nacionalmente ao campo conservador e apoia o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Com larga experiência parlamentar, Roberto procura ocupar o espaço de uma oposição ideológica tanto ao campo lulista quanto aos grupos políticos que disputam a hegemonia estadual.
Seu candidato a vice é o Pastor Josias (PL).
André Luís aposta na condição de outsider
André Luís, do Missão, representa outro tipo de candidatura.
Empresário e sem a longa trajetória em cargos eletivos apresentada pelos principais concorrentes, entra na campanha procurando explorar justamente a condição de outsider.
Sua presença amplia o espaço reservado aos candidatos que tentam se apresentar como alternativa à política tradicional e aos grupos que há décadas protagonizam as disputas estaduais.
Essa condição pode ser um diferencial na construção de sua imagem, mas também impõe um desafio evidente: ampliar rapidamente o conhecimento de seu nome entre os eleitores e construir estrutura política suficiente para competir em uma eleição estadual.
Candidaturas de esquerda completam o cenário
A disputa pelo Governo também conta com Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO).
Os três representam legendas situadas à esquerda do espectro político e entram na eleição oferecendo alternativas aos projetos encabeçados pelos candidatos das maiores estruturas partidárias.
Mesmo com menor presença nas estruturas tradicionais de poder, essas candidaturas cumprem papel importante no debate eleitoral ao apresentar propostas e posições ideológicas próprias e ampliar o leque de escolhas colocado diante do eleitor.
Uma eleição de trajetórias e estratégias diferentes
A largada da campanha mostra uma eleição em que o perfil dos candidatos poderá ter peso decisivo.
Braide aposta na experiência administrativa e no capital eleitoral construído em São Luís. Orleans tenta converter a força municipalista e a estrutura governista em liderança própria. Camarão leva para as urnas sua trajetória na administração pública e a aliança com Lula. Roberto Rocha reivindica experiência parlamentar e procura consolidar o eleitorado de direita. André Luís tenta ocupar o espaço da renovação, enquanto Saulo Arcangeli, Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro representam projetos ideológicos alternativos.
A partir de agora, mais do que apresentar nomes, cada candidatura terá de convencer o eleitor de que sua trajetória é a mais adequada para comandar o Maranhão pelos próximos quatro anos.
É justamente o contraste entre esses perfis — o gestor, o candidato governista, o aliado presidencial, o político experiente, o outsider e as candidaturas ideológicas — que começa a dar forma à disputa pelo Palácio dos Leões.

