Ministro do STF afirma que imagens são anteriores à sua posse na Corte e contesta associação do episódio a denúncia envolvendo suposto uso irregular de veículo oficial do TJMA
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (16) que o vídeo em que aparece em uma praia de São Luís, ao lado de um veículo utilitário, foi gravado em maio de 2023, quando ele ainda não integrava a Suprema Corte. Segundo Dino, o automóvel mostrado nas imagens é particular.
A manifestação ocorreu depois que o vídeo voltou a circular nas redes sociais associado a outra controvérsia: uma denúncia feita pelo jornalista maranhense Luís Pablo sobre o suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por familiares de um magistrado.
Dino sustenta que os dois episódios não possuem relação entre si.
O caso relatado pelo jornalista refere-se a uma situação que teria ocorrido em novembro de 2025. Posteriormente, Luís Pablo foi alvo de buscas realizadas pela Polícia Federal, em medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de investigação que acabou provocando também uma discussão sobre a preservação do sigilo da fonte jornalística.
Já as imagens de Flávio Dino na praia, segundo o próprio ministro, são de maio de 2023, cerca de nove meses antes de sua posse no Supremo, ocorrida em fevereiro de 2024.
Ao se pronunciar, Dino afirmou que decidiu esclarecer novamente a origem do vídeo diante da repercussão alcançada pelas publicações.
“Informo, mais uma vez, que esse vídeo em que apareço na praia, abrindo a porta de um carro, é bem antigo, quando não era ministro do STF. E aquele carro mostrado é particular”, declarou.
O ministro também cobrou de jornalistas, comentaristas e responsáveis por postagens nas redes sociais a correção das informações que, segundo ele, estabeleceram uma associação indevida entre as imagens de 2023 e a denúncia envolvendo o veículo do Judiciário maranhense.
Dino classificou essa vinculação como falsa e reagiu ainda às críticas relacionadas ao aparato de segurança que o acompanha. Segundo o ministro, profissionais responsáveis por sua proteção podem atuar fora dos horários convencionais e também em momentos de lazer, especialmente diante da existência de ameaças.
Em sua manifestação, ele afirmou que ser alvo de crimes não faz parte das obrigações inerentes ao exercício do cargo.
“Aceitar ser alvo de crimes não se insere no rol de minhas obrigações funcionais”, pontuou.
Dino também fez uma defesa da apuração jornalística criteriosa e criticou o que classificou como uma cadeia de desinformação capaz de alimentar hostilidade e ampliar riscos à segurança de autoridades.
“O cumprimento das leis, a boa apuração jornalística e a reflexão serena são fontes essenciais para realmente defender a liberdade”, afirmou.
Na mesma manifestação, o ministro declarou que a disseminação de informações falsas acaba produzindo mais ataques e, consequentemente, maior necessidade de proteção. Ele também afirmou que a liberdade de expressão não pode ser confundida com autorização para mentir, ameaçar, perseguir ou intimidar autoridades.
A manifestação de Dino acrescenta um novo capítulo à repercussão do vídeo. O ponto central de sua explicação é a cronologia dos fatos: segundo ele, as imagens foram registradas em 2023, o veículo era particular e o episódio ocorreu antes de sua chegada ao Supremo. Por isso, o ministro rejeita qualquer vinculação entre aquela gravação e a denúncia posteriormente apresentada por Luís Pablo sobre um automóvel oficial do TJMA.

