Portal nacional destaca que operações envolvendo jornalista e ex-secretário maranhenses entraram no radar de integrantes do governo Trump; caso repercutiu também no britânico Financial Times
O Maranhão passou a ocupar o centro de um novo episódio de repercussão nacional e internacional envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem divulgada pelo Metrópoles, integrantes do governo dos Estados Unidos voltaram a considerar a adoção de sanções contra o magistrado após operações autorizadas por Moraes envolvendo um jornalista e um ex-secretário de Estado do Maranhão.
A informação, segundo o portal brasileiro, foi publicada originalmente pelo jornal britânico Financial Times, uma das mais influentes publicações econômicas do mundo.
De acordo com o Metrópoles, as discussões em Washington ganharam força depois de recentes decisões de Moraes relacionadas ao jornalista maranhense Luís Pablo e ao ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim.
O caso de Luís Pablo está relacionado a publicações feitas pelo jornalista envolvendo o uso de um veículo oficial ligado ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Segundo o relato reproduzido pelo Metrópoles, o jornalista passou, a partir de novembro de 2025, a divulgar conteúdos com fotografias e dados de um veículo funcional utilizado pelo ministro Flávio Dino, também integrante do Supremo Tribunal Federal.
Luís Pablo publicou ainda que o automóvel, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão, estaria sendo utilizado por familiares de Dino.
As publicações passaram a fazer parte das investigações que culminaram em medidas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Raimundo Cutrim também foi alvo de operação
Outro personagem maranhense citado pela reportagem é o ex-secretário de Segurança Pública do Estado Raimundo Cutrim.
Segundo o Metrópoles, Moraes autorizou, ao longo da semana, o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário.
A inclusão dos dois episódios na mesma discussão elevou a dimensão política do caso. O que inicialmente estava circunscrito a investigações e personagens ligados ao Maranhão passou a ser acompanhado fora do país.
Conforme a reportagem do Financial Times, reproduzida pelo Metrópoles, integrantes do governo do presidente Donald Trump ouvidos sob reserva teriam interpretado as medidas como possíveis violações à liberdade de imprensa.
É justamente essa avaliação que teria reaberto, dentro do governo norte-americano, o debate sobre novas medidas contra Alexandre de Moraes.
Caso maranhense chega ao debate internacional
A repercussão chama atenção porque coloca acontecimentos registrados no Maranhão diretamente no centro de uma discussão envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o governo dos Estados Unidos.
Moraes já havia sido alvo de sanções norte-americanas em 2025, quando foi enquadrado na chamada Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para impor restrições econômicas e financeiras a pessoas estrangeiras.
Posteriormente, segundo o Metrópoles, essas sanções foram retiradas em meio a uma aproximação entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
O cenário, porém, teria mudado novamente.
Ainda conforme a publicação, autoridades norte-americanas passaram a reconsiderar medidas contra Moraes depois das decisões mais recentes — e os episódios ocorridos no Maranhão aparecem como um dos elementos dessa nova avaliação.
Retorno à Magnitsky estaria entre as possibilidades
Entre as medidas discutidas estaria uma eventual reinclusão de Alexandre de Moraes nas sanções previstas pela Lei Magnitsky.
Na prática, segundo a reportagem, uma medida dessa natureza poderia atingir contas ou bens eventualmente mantidos pelo ministro nos Estados Unidos e impor restrições a transações realizadas por empresas e cidadãos norte-americanos com o magistrado.
O alcance poderia envolver inclusive empresas do sistema financeiro e operadoras de cartões de crédito submetidas à legislação dos Estados Unidos.
Por enquanto, o que existe, de acordo com as informações publicadas pelo Metrópoles com base no Financial Times, é uma discussão dentro do governo norte-americano. O material não aponta que uma nova sanção já tenha sido formalmente aplicada.
Ainda assim, a repercussão revela uma mudança importante na dimensão do episódio: operações relacionadas diretamente a personagens e acontecimentos do Maranhão deixaram o ambiente político e judicial local e chegaram ao debate internacional sobre a atuação de um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

