Braide avança entre eleitores de maior renda, Orleans encontra mais espaço nas camadas populares. No Senado, Roseana consolida preferência entre os mais velhos
A corrida eleitoral no Maranhão apresenta diferenças importantes quando os resultados são divididos por renda, idade, sexo e religião. A pesquisa IPPI mostra que Eduardo Braide lidera em todos os segmentos na disputa pelo governo, mas alcança sua maior vantagem entre eleitores de renda mais alta e adultos de 25 a 44 anos. Orleans Brandão demonstra mais força relativa entre jovens e maranhenses de menor renda, enquanto Felipe Camarão apresenta seu melhor desempenho entre os eleitores com 60 anos ou mais.
Na eleição para o Senado, Roseana Sarney cresce entre os mais velhos e nas camadas populares. Weverton Rocha e Fufuca aparecem mais competitivos entre os jovens, enquanto Lahesio Bonfim concentra suas maiores intenções de voto entre homens, evangélicos e eleitores de maior renda. Eliziane Gama mantém um desempenho mais equilibrado entre os diferentes grupos.
Os dados ajudam a explicar não apenas quem está na frente, mas qual eleitor sustenta cada candidatura e quais segmentos podem decidir o resultado da eleição.
Braide cresce conforme aumenta a renda
Eduardo Braide lidera a disputa pelo Governo do Maranhão com 44,8% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Nos votos válidos, aparece com 53,7%.
Sua vantagem, entretanto, não é igual em todos os grupos. Braide registra 40% entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos. O percentual sobe para 51,2% na faixa de dois a cinco salários mínimos e chega a 57,6% entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos.
O levantamento revela, portanto, uma candidatura mais consolidada entre os segmentos de renda média e alta. O principal desafio de Braide está em ampliar sua vantagem justamente entre os eleitores de menor renda, que representam a maior parte da população pesquisada.
A liderança também é mais expressiva entre os adultos de 25 a 44 anos. Braide alcança 50,3% entre os eleitores de 25 a 34 anos e 51,3% na faixa de 35 a 44 anos. Entre aqueles com 60 anos ou mais, recua para 37,1%, embora continue na primeira colocação.
Braide também possui maior intenção de voto entre os homens, com 48,8%, diante de 41,1% entre as mulheres. No recorte religioso, seu melhor resultado aparece entre os evangélicos, com 48%.
Orleans encontra maior espaço entre jovens e eleitores de baixa renda
Orleans Brandão aparece em segundo lugar, com 24,5% das intenções de voto. Seu desempenho é proporcionalmente mais forte entre os jovens e nas camadas de menor renda.
Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Orleans chega a 29,7%, seu melhor resultado por idade. Também registra 27,3% entre aqueles de 45 a 59 anos. O desempenho mais baixo ocorre na faixa de 35 a 44 anos, com 19,5%.
Na divisão por renda, Orleans alcança 25,8% entre os que recebem até dois salários mínimos. O índice cai para 23,3% entre dois e cinco salários mínimos e para 20% entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos.
Isso coloca Orleans diante de uma oportunidade e de um problema. Sua candidatura encontra maior receptividade justamente no maior segmento social do Maranhão, mas precisa reduzir a distância para Braide dentro desse grupo. Além disso, Orleans possui a maior rejeição entre os candidatos ao governo: 20,5% afirmam que não votariam nele.
Camarão tem melhor desempenho entre os mais velhos
Felipe Camarão aparece com 7,8% no cenário estimulado. Seu principal diferencial está entre os eleitores com 60 anos ou mais, grupo no qual alcança 12,5%.
Entre os jovens de 25 a 34 anos, porém, registra apenas 4,2%. Na renda, seu melhor resultado aparece entre os que recebem até dois salários mínimos, com 8,3%. Entre os católicos, chega a 8,9%, contra 5,6% entre os evangélicos.
O perfil revela maior receptividade entre idosos, católicos e eleitores de menor renda. Para crescer, Camarão precisaria transformar sua identificação política e partidária em maior intenção de voto, especialmente entre os jovens e adultos.
Roseana cresce com a idade e lidera nas camadas populares
Na corrida pelas duas vagas do Senado, Roseana Sarney lidera com 35,4% na soma do primeiro e do segundo voto. Seu desempenho aumenta de forma contínua conforme avança a idade do eleitor.
Roseana possui 28,5% entre os jovens de 16 a 24 anos, passa para 34,4% entre os eleitores de 35 a 44 anos e alcança 44,3% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Também é mais forte entre os maranhenses de menor renda. Registra 37,8% entre os que recebem até dois salários mínimos, diante de 31,8% na faixa intermediária e 30,4% entre os que recebem mais de cinco salários mínimos.
Entre os católicos, Roseana chega a 38,5%. O resultado mostra uma candidatura sustentada pelo conhecimento histórico do seu nome, sobretudo entre os eleitores mais velhos, católicos e pertencentes às camadas populares.
Weverton e Fufuca disputam o eleitor jovem
Weverton Rocha registra 21,8% na soma dos dois votos. Seu melhor resultado aparece entre os jovens de 16 a 24 anos, com 28,9%. O percentual diminui gradualmente e chega a 16,1% entre os eleitores com 60 anos ou mais.
O desempenho de Weverton é praticamente estável nas três faixas de renda, variando entre 21,4% e 22,4%. Isso demonstra uma candidatura socialmente mais transversal, sem grande concentração em uma classe específica.
Fufuca, com 20,3% no resultado geral, também possui forte presença entre os jovens: chega a 28,5% na faixa de 16 a 24 anos. Seu desempenho cresce conforme aumenta a renda, passando de 18,8% entre os eleitores de até dois salários mínimos para 27,2% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.
Lahesio se destaca entre homens, evangélicos e eleitores de maior renda
Lahesio Bonfim apresenta uma das bases eleitorais mais claramente definidas. Alcança 23,9% entre os homens, mas 14,6% entre as mulheres.
A diferença por renda é ainda maior. Lahesio registra 13,9% entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, sobe para 26,2% na faixa de dois a cinco salários e chega a 32% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.
Entre os evangélicos, alcança 28,5%, praticamente o dobro dos 15,6% registrados entre os católicos. Por idade, seu melhor resultado está entre os eleitores de 25 a 34 anos, com 26,9%.
Os números mostram uma candidatura competitiva, mas concentrada em segmentos específicos: homens, evangélicos, adultos mais jovens e eleitores de maior renda.
Eliziane mantém eleitorado mais equilibrado
Eliziane Gama soma 17% dos dois votos para o Senado. Diferentemente de alguns adversários, apresenta pouca variação entre homens e mulheres: 17,3% no eleitorado masculino e 16,7% no feminino.
Também mantém índices semelhantes nas diferentes idades. Seu melhor resultado aparece entre os eleitores de 35 a 44 anos, com 18,2%, mas permanece próxima de 17% nas demais faixas.
Na divisão por renda, alcança 17% entre os eleitores de até dois salários mínimos, 17,8% na faixa intermediária e 14,4% entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos.
A estabilidade indica uma candidatura presente em diferentes segmentos da sociedade. O desafio é encontrar um grupo no qual consiga avançar além da média e construir uma vantagem mais significativa na disputa pela segunda vaga.
Quem é o eleitor que decidirá a eleição?
A pesquisa apresenta um eleitorado ligeiramente majoritário entre as mulheres, que representam 51,9% da amostra. Os homens correspondem a 48,1%.
A característica mais relevante, porém, aparece na renda. Dos 1.500 entrevistados, 62,1% recebem até dois salários mínimos. Outros 29,5% estão na faixa de dois a cinco salários mínimos, enquanto somente 8,3% possuem renda superior a cinco salários mínimos.
Isso significa que, embora alguns candidatos alcancem percentuais elevados nas camadas de maior renda, a eleição será decidida principalmente pelo eleitor popular. Quem conquistar uma parcela maior dos maranhenses que vivem com até dois salários mínimos terá uma vantagem decisiva.
A distribuição etária é mais equilibrada. Os jovens de 16 a 24 anos representam 17,1% da amostra; os eleitores de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos correspondem, cada grupo, a 20,5%; aqueles de 45 a 59 anos somam 23,2%; e os eleitores com 60 anos ou mais representam 18,7%.
No aspecto religioso, os católicos são 60,5% dos entrevistados, os evangélicos representam 23,9% e as demais religiões, juntamente com quem não possui religião, correspondem a 15,6%.
Saúde, educação e segurança orientam o voto
O perfil econômico do eleitor ajuda a compreender suas prioridades. A saúde é apontada como um dos principais problemas do Maranhão por 48,7% dos entrevistados. Em seguida aparecem educação, com 24,8%, e segurança pública e violência, com 23%.
Também são mencionados infraestrutura urbana, estradas, desemprego, saneamento básico e geração de emprego e renda.
Essas preocupações revelam um eleitor pragmático, que deverá avaliar as candidaturas principalmente pela capacidade de apresentar soluções para problemas concretos. A preferência eleitoral pode ser influenciada menos por discursos ideológicos e mais pelas respostas oferecidas para atendimento médico, emprego, educação, segurança e infraestrutura.
Desejo de mudança favorece candidaturas de oposição
Outro dado fundamental é o desejo de mudança. Para 47% dos entrevistados, o próximo governo deve mudar totalmente a forma de administrar o estado. Outros 30,1% defendem mudanças significativas, ainda que algumas ações sejam mantidas.
Somados, 77,1% querem uma mudança total ou ampla no governo do Maranhão.
Esse sentimento ajuda a explicar a liderança de Eduardo Braide e representa um desafio para candidaturas identificadas com a atual estrutura estadual. Ao mesmo tempo, não significa que todos esses eleitores votarão da mesma maneira. Cada candidato precisará convencer a população de que representa a mudança desejada — e, principalmente, de que possui condições de melhorar os serviços públicos.
O retrato apresentado pela pesquisa é o de um eleitorado majoritariamente popular, católico, preocupado com saúde, educação e segurança e amplamente favorável a mudanças. É dentro desse perfil que a eleição deverá ser decidida.
Braide lidera todos os segmentos, mas é mais forte entre os adultos e nas rendas mais altas. Orleans encontra maior espaço relativo entre jovens e eleitores de baixa renda. Camarão apresenta melhor desempenho entre os idosos. No Senado, Roseana domina entre os mais velhos e nas camadas populares; Weverton e Fufuca avançam entre os jovens; Lahesio concentra força entre homens, evangélicos e eleitores de maior renda; e Eliziane mantém presença equilibrada nos diferentes grupos.
Mais do que saber quem está na frente, os números mostram onde cada candidatura é forte e onde ainda precisa crescer. E deixam uma conclusão: a eleição será decidida principalmente pelo maranhense de baixa renda, usuário dos serviços públicos e que deseja uma mudança perceptível na condução do estado.
O IPPI ouviu presencialmente 1.500 eleitores em 80 municípios, entre 29 de agosto e 2 de setembro de 2026. A margem de erro geral é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número MA-08868/2026. Como os recortes demográficos utilizam grupos menores de entrevistados, suas margens de erro são superiores à margem geral da pesquisa.

