Reportagem também mostrou suspeitas envolvendo Weverton Rocha e Raimundo Cutrim e repercutiu questionamentos sobre apreensão de equipamentos do jornalista Luiz Pablo
O Jornal Nacional dedicou mais de sete minutos, nesta sexta-feira (14), às investigações no Maranhão que chegaram ao Supremo Tribunal Federal e são relatadas pelo ministro Flávio Dino. A reportagem destacou trechos das decisões que envolvem autoridades maranhenses e colocou no centro da exposição nacional o governador Carlos Brandão, o senador Weverton Rocha e o ex-secretário Raimundo Cutrim.
Em um dos pontos mais graves da decisão, Dino reproduz uma hipótese investigativa da Polícia Federal na qual Carlos Brandão é identificado como “provável líder da organização criminosa ora investigada”. Segundo a PF, Gilbson Cutrim Júnior teria atuado na circulação de expedientes e valores entre integrantes de um núcleo político após interlocuções com Daniel Brandão e com o governador.
Em outra frente, a investigação encontrou documentos que remontam ao período em que Brandão era deputado federal. Na PET 15.438, aparecem notas fiscais relacionadas à Vigas Engenharia com referências ao “ESCRITORIO DO DEP CARLOS BRANDAO”. A investigação trabalha com a hipótese de ligação entre o então parlamentar e a empresa investigada.
O senador Weverton Rocha também aparece com destaque. Dados extraídos de seu celular revelaram contatos frequentes com o ministro do STJ Humberto Martins, por mensagens, áudios e ligações. A investigação apura uma suposta tentativa de influência no andamento da Sindicância 861/DF. A própria decisão registra que o STF assumiu parte das investigações justamente diante da imputação de possível interferência atribuída ao senador.
Já Raimundo Cutrim é apontado pela Polícia Federal como interlocutor da família Brandão e como personagem de uma suposta estrutura destinada a interferir nas investigações. A PF afirma que ele teria atuado para influenciar testemunhas e modificar versões já apresentadas. Dino considerou haver elementos suficientes para decretar sua prisão preventiva, posteriormente convertida em domiciliar.
A reportagem do Jornal Nacional também abordou o caso envolvendo o jornalista Luiz Pablo. Segundo mostrado pelo telejornal, instituições ligadas à defesa do jornalismo e da liberdade de imprensa se manifestaram sobre a forma como equipamentos do jornalista foram apreendidos pela Polícia Federal, levantando questionamentos sobre a proteção constitucional ao sigilo da fonte. Esse episódio não aparece nos três documentos analisados aqui e está sendo incluído com base no conteúdo da reportagem do JN relatado.
As decisões de Flávio Dino ressaltam que as apurações ainda estão em andamento. As referências a organização criminosa, interferência em investigações e participação de autoridades constituem, nesta fase, hipóteses investigativas e indícios submetidos à apuração, e não condenações definitivas.

