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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou em decisões recentes que a Polícia Federal investiga uma possível atuação do senador Weverton Rocha junto ao então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins para influenciar o andamento da Sindicância 861/DF. O procedimento integra um conjunto de investigações sobre suspeitas de corrupção, obstrução à Justiça e outros crimes no Maranhão.
A suspeita surgiu a partir de informações levadas ao STF pela defesa de Gilbson César Soares Cutrim Júnior. Segundo trecho reproduzido por Dino, Weverton teria atuado junto ao gabinete de Humberto Martins com o objetivo de influenciar o curso da sindicância e, eventualmente, obstar o regular prosseguimento da apuração. A representação menciona ainda alegações sobre possível contrapartida financeira, mas as decisões analisadas não apresentam prova direta de pagamento ao senador ou ao ministro.
A investigação ganhou novo peso depois que a PF passou a analisar dados extraídos do celular de Weverton, apreendido em outro procedimento. O compartilhamento foi autorizado pelo ministro André Mendonça. Segundo a Polícia Federal, foram encontradas comunicações diretas e reiteradas entre Weverton e Humberto Martins entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, incluindo mensagens, áudios, telefonemas e compartilhamento de mídias.
Os investigadores afirmam que o material demonstra uma relação de proximidade pessoal entre os dois que ultrapassaria uma interação meramente institucional. A PF identificou ainda encontros entre o senador e o ministro e registrou que alguns pedidos feitos por Weverton mencionavam nominalmente pessoas que teriam processos sob relatoria de Humberto Martins. Para a investigação, esses contatos ajudam a demonstrar o grau de acesso do parlamentar ao magistrado.
Um dos episódios destacados por Flávio Dino ocorreu em 2 de junho de 2025. Naquela data, houve contato entre Weverton e Humberto Martins. Foi também nesse dia que o ministro determinou a transferência de Gilbson Cutrim do Maranhão para a Penitenciária Federal de Brasília. Dino ressalta, porém, que a transferência havia sido formalmente solicitada pela própria Polícia Federal.
A PF também apontou que, após os episódios investigados, não teriam ocorrido movimentações decisórias relevantes na Sindicância 861, além de dificuldades de acesso aos autos e demora na apreciação de pedidos. Na avaliação dos investigadores, esses elementos poderiam indicar o “sucesso da possível ingerência do senador”, hipótese que ainda depende de aprofundamento e comprovação.
A participação de Weverton é considerada relevante também para definir a competência do STF. Em outra decisão, Dino afirma que o habeas corpus que levou os casos ao Supremo questionava condutas de Humberto Martins “em virtude de suposta interferência indevida” do senador.
Apesar da gravidade das suspeitas, as decisões não concluem que Weverton Rocha ou Humberto Martins tenham cometido crimes. Até o momento, o que está documentalmente demonstrado é a proximidade entre os dois, a frequência dos contatos e a existência de interlocuções envolvendo processos. A investigação busca agora esclarecer se essa relação resultou efetivamente em alguma interferência ilícita no andamento de procedimentos no STJ.

