Presidente do STF retirou sigilo de investigações sobre o Banco Master, incluindo mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes; plenário analisará o caso na próxima terça-feira
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (10) a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao caso Banco Master, incluindo procedimentos ligados às mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A decisão de Fachin, tomada de ofício — ou seja, por iniciativa própria, sem pedido de nenhuma das partes —, solicitou que o ministro André Mendonça tornasse públicos os autos da investigação que levou à prisão de Vorcaro em março deste ano, preservando apenas eventuais diligências cujo sigilo seja indispensável para sua realização.
Após a determinação, André Mendonça atendeu ao pedido e autorizou o acesso aos procedimentos relacionados ao caso, além de encaminhar aos gabinetes dos demais ministros do Supremo um HD contendo os documentos da investigação do Banco Master e seus desdobramentos.
Segundo Fachin, o processo envolvendo as mensagens entre Vorcaro e Moraes possui relação direta com o caso Master e deverá ser analisado pelo plenário do STF na próxima terça-feira (15).
A medida abriu um cenário considerado inédito dentro da Corte, já que o plenário deverá discutir procedimentos envolvendo uma possível investigação sobre um dos próprios ministros do Supremo.
Nos bastidores, o julgamento movimenta articulações entre integrantes do tribunal. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como ministros mais próximos da posição de Alexandre de Moraes, enquanto André Mendonça teria apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Os votos de Fachin e Cármen Lúcia são vistos como decisivos e ainda sem definição clara. Dias Toffoli pode não participar da análise por já ter declarado suspeição em desdobramentos relacionados ao caso, embora exista discussão sobre a possibilidade de sua participação por envolver questões processuais.
A crise no STF teve início a partir de decisões tomadas durante as investigações do Banco Master e envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro Flávio Dino.
Antes mesmo da divulgação do relatório da Polícia Federal que intensificou a disputa, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre a condução das investigações.

