Vereador Sargento Adriano denuncia redução do efetivo nas ruas, escolas e unidades de saúde; termo de cooperação confirma parceria criada para ampliar a presença policial e combater a criminalidade
Governo Brandão é acusado de retirar policiais de Imperatriz; documento confirma parceria de reforço à segurança
Termo de cooperação prevê atuação remunerada de agentes estaduais nas folgas, enquanto vereador denuncia retirada do efetivo; ausência de ordem pública com as justificativas aumenta cobrança por transparência
A denúncia de que o governo Carlos Brandão teria determinado a retirada de policiais militares que reforçavam a segurança em Imperatriz acendeu um alerta sobre o futuro das ações de prevenção e combate à criminalidade na cidade.
A acusação foi feita pelo vereador Sargento Adriano (Republicanos), policial militar que afirma que os agentes atuavam nas ruas, em escolas e unidades de saúde. Segundo o parlamentar, a medida reduz a presença ostensiva das forças de segurança, deixa a população mais vulnerável e abre espaço para o avanço da criminalidade.
“Essa decisão enfraquece a segurança pública, deixa a população mais vulnerável e acaba favorecendo o avanço da criminalidade em nossa cidade”, declarou.
A denúncia ganha relevância diante da existência do Termo de Cooperação nº 08/2025, elaborado entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão e a Prefeitura de Imperatriz. O documento estabelece uma parceria para ampliar a atuação de policiais estaduais no município.
A cópia analisada, no entanto, aparece identificada como “minuta” e não contém qualquer ordem de retirada, suspensão ou encerramento da parceria. Também não informa quantos policiais teriam sido afastados das atividades denunciadas pelo vereador.
Documento confirma estrutura de reforço policial
O Termo de Cooperação prevê a atuação voluntária e remunerada de policiais militares e, quando possível, policiais civis durante os períodos de folga.
O objetivo formal é utilizar os agentes em ações de apoio à segurança pública, especialmente em eventos promovidos ou apoiados pelo Município, para prevenir a violência e controlar a criminalidade.
O documento também atribui à Secretaria de Estado da Segurança Pública a obrigação de disponibilizar recursos humanos, desenvolver operações integradas e concentrar ações policiais em áreas socialmente vulneráveis e com maiores índices de criminalidade, principalmente crimes contra a vida.
À Prefeitura caberia disponibilizar os recursos necessários para custear as atividades. O termo estabelece que não haveria transferência direta de dinheiro entre o Município e o Estado, com os pagamentos destinados aos fornecedores ou prestadores dos serviços.
A vigência prevista é de 12 meses, contados a partir da publicação, com possibilidade de prorrogação mediante acordo entre as partes.
Documento não apresenta ordem de retirada
Apesar de comprovar a existência de uma estrutura institucional para reforçar a segurança em Imperatriz, o termo não contém determinação do governador, da SSP ou do comando da Polícia Militar para retirar agentes das ruas, escolas ou unidades de saúde.
Também não consta no material analisado:
ato de suspensão ou rescisão do convênio;
ofício determinando o retorno dos policiais;
relação dos agentes atingidos;
cancelamento das escalas;
justificativa técnica para eventual redução do efetivo;
plano para substituir os policiais retirados.
A ausência dessas informações não elimina a gravidade da denúncia. Ao contrário: aumenta a obrigação do governo estadual de esclarecer publicamente o que aconteceu.
Se houve retirada, a população precisa saber quantos policiais foram alcançados, de quais unidades eles saíram, quem tomou a decisão e como o Estado pretende evitar prejuízos à segurança da segunda maior cidade do Maranhão.
Operações apresentaram resultados concretos
A parceria entre o Município e o Estado deu origem à Jornada Operacional Delegada (JOD), regulamentada para permitir que policiais militares, civis e bombeiros trabalhassem voluntariamente em ações extraordinárias, mediante pagamento pelo Município.
A iniciativa ampliou a presença policial nas ruas e foi utilizada em patrulhamentos preventivos, operações especiais e ações integradas de segurança.
Em agosto, cerca de 100 policiais participaram de uma mobilização da JOD em Imperatriz. As ações resultaram em prisões por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e cumprimento de mandado judicial.
Em uma das ocorrências, policiais apreenderam aproximadamente cinco quilos de substâncias semelhantes a cocaína e maconha, além de dinheiro, uma balança de precisão e materiais relacionados ao tráfico.
Outras equipes localizaram armas de fogo e prenderam um homem que possuía mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas.
Os resultados demonstram que a ampliação do efetivo não era apenas uma medida administrativa. O reforço colocava mais agentes nas ruas e aumentava a capacidade de prevenção, abordagem e resposta às ocorrências.
Redução do efetivo beneficia quem atua fora da lei
A presença ostensiva da polícia tem efeito preventivo. Ela inibe assaltos, tráfico de drogas, ameaças, vandalismo e a ocupação de territórios por organizações criminosas.
Quando policiais são retirados sem substituição, aumenta-se a área que precisa ser coberta pelas equipes restantes. O tempo de resposta pode crescer, o patrulhamento preventivo perde força e os próprios agentes passam a trabalhar sob maior pressão.
Quem sofre é a população. Pais temem pela segurança dos filhos nas escolas, profissionais da saúde trabalham mais vulneráveis e moradores perdem o sossego diante da possibilidade de redução do policiamento.
Quem se beneficia dessa ausência é o criminoso, que encontra menos obstáculos para agir.
Por isso, uma eventual retirada não pode ser tratada como simples reorganização burocrática. Trata-se de uma decisão com impacto direto na proteção da vida, do patrimônio e da tranquilidade das famílias.
Governo precisa apresentar documentos e explicações
A denúncia feita por Sargento Adriano exige uma resposta objetiva do Governo do Maranhão. Não bastam declarações genéricas sobre segurança pública.
O Estado precisa apresentar os atos administrativos relacionados ao caso, informar se houve alteração nas escalas e esclarecer se a Jornada Operacional Delegada ou outras ações de cooperação foram suspensas, reduzidas ou modificadas.
Também é necessário explicar se a medida possui motivação técnica, administrativa, financeira ou política.
A segurança de Imperatriz não pode ficar submetida a disputas partidárias. Caso exista algum conflito entre o governo estadual e a administração municipal, a população não pode ser usada como instrumento de pressão nem pagar a conta com menos policiais nas ruas.
“Como policial militar e vereador, não aceitarei que Imperatriz seja abandonada. Segurança pública se fortalece com mais efetivo nas ruas e não com a retirada de policiais”, afirmou Sargento Adriano.
A denúncia ainda precisa ser acompanhada da ordem formal que teria determinado a retirada. Mas o silêncio e a ausência de transparência do governo estadual apenas ampliam as dúvidas.
Cabe ao governo Carlos Brandão informar, de forma imediata, se policiais foram retirados, qual foi a extensão da medida e como ficará a proteção das ruas, escolas, unidades de saúde e demais espaços públicos de Imperatriz.
O espaço permanece aberto para manifestação do Governo do Maranhão e da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

