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Imagem revelada pela revista piauí mostra os dois maranhenses no Rancho Tomaz, propriedade do advogado Willer Tomaz, ao lado de Arthur Lira e outros parlamentares; reportagem publicada neste sábado na Revista Piauí (8) detalha suspeitas da PF envolvendo Weverton e relata decisões do Ministério das Comunicações, então comandado por Juscelino, favoráveis a interesses ligados ao advogado
Uma reportagem publicada neste sábado, 8 de agosto, pela revista piauí, trouxe novos detalhes sobre as relações do advogado Willer Tomaz com integrantes do alto escalão da política nacional e colocou dois políticos do Maranhão em evidência: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho.
Um dos elementos centrais da reportagem é uma fotografia encontrada, segundo a revista, no celular de Weverton Rocha, que está em poder da Polícia Federal desde o fim do ano passado. A imagem registra uma confraternização na piscina do Rancho Tomaz, propriedade de Willer em Planaltina, a cerca de 80 quilômetros de Brasília.
Além de Weverton e Juscelino, a piauí afirma ter identificado na fotografia nomes como Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados; Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA).
A fotografia ganha relevância no contexto da investigação porque o anfitrião, Willer Tomaz, está no centro de apurações relacionadas ao escândalo dos descontos em aposentadorias e pensões do INSS. De acordo com a reportagem, investigadores suspeitam que Willer tenha lavado dinheiro para Weverton Rocha e que parte dos recursos tenha origem em desvios de aposentadorias e pensões.
Trata-se, neste ponto, de uma suspeita atribuída pela reportagem à investigação da Polícia Federal, e não de uma condenação. Weverton contesta as suspeitas, enquanto Willer nega qualquer vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias.
Foto foi registrada no feriado de Tiradentes
De acordo com a piauí, os dados existentes no rolo da câmera do celular de Weverton indicam que a fotografia foi registrada em 23 de abril de 2023, um domingo, dois dias depois do feriado de Tiradentes.
A viagem teria sido organizada por meio de um grupo de WhatsApp denominado “Grupo Seleto”, do qual participava parte dos parlamentares retratados.
A revista afirma ter obtido uma captura de tela das conversas. Nela, integrantes aparentemente organizavam uma espécie de lista de presença para o “FERIADO TIRADENTES”.
Mulheres de alguns políticos também integravam o grupo, entre elas Lia Rezende, esposa de Juscelino Filho, e Angela Lira, mulher de Arthur Lira.
Na época da confraternização, Lira ainda presidia a Câmara dos Deputados. Juscelino Filho, por sua vez, ocupava um dos principais postos do governo federal: era ministro das Comunicações.
Embora as mulheres não apareçam na fotografia da piscina divulgada pela reportagem, a piauí reuniu postagens em redes sociais que indicariam que algumas delas também estavam no rancho naquele fim de semana.
Rancho luxuoso e políticos reunidos na piscina
O cenário da fotografia também recebeu atenção especial da reportagem.
Segundo a revista, o Rancho Tomaz é uma propriedade sofisticada às margens da Lagoa Formosa, em Planaltina. O local possui, além da piscina aquecida onde os políticos foram fotografados, academia, quadras de tênis, campo de minigolfe e píer com acesso à lagoa.
A propriedade também teria lanchas, jet skis e mesas de pôquer. Objetos e móveis seriam personalizados com as iniciais WT, de Willer Tomaz.
Na fotografia publicada pela revista, Willer aparece dentro da piscina cercado pelos convidados. Deputados e senadores aparecem dentro e fora d’água, em clima descontraído, alguns deles segurando bebidas.
A imagem, entretanto, não é apontada pela reportagem como prova de participação dos parlamentares nas supostas fraudes do INSS. Sua relevância, no contexto apresentado pela piauí, está principalmente em documentar a proximidade de Willer com figuras influentes da política e em auxiliar os investigadores a compreender a rede de relações do advogado.
PF suspeita de relação financeira entre Willer e Weverton
É em relação a Weverton Rocha que aparecem as acusações mais graves descritas pela reportagem.
Segundo a piauí, o inquérito aponta que empresas de Willer transferiram aproximadamente R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher de Weverton.
A reportagem afirma ainda que existem indícios, segundo a Polícia Federal, de que a residência onde Weverton mora no Lago Sul, em Brasília, teria sido comprada por Willer.
Ainda conforme o relato da revista sobre a investigação, o advogado também teria bancado contas de energia elétrica, telefone e cartão relacionadas ao senador.
Diante desses elementos, a piauí afirma que a Polícia Federal trabalha com a suspeita de que Weverton e Willer buscariam “ocultar ou dissimular a origem” de dinheiro supostamente obtido de forma ilegal.
Segundo a reportagem, essa hipótese consta de uma petição encaminhada pela Polícia Federal ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que serviu de fundamento para a operação realizada nesta semana.
A fotografia da piscina não teria sido citada nessa petição, mas, conforme a revista, encontra-se sob análise dos investigadores.
Weverton diz que movimentações são fruto de atividades profissionais
O senador maranhense contesta as suspeitas.
De acordo com a reportagem, Weverton Rocha afirmou ter recebido a operação “com tranquilidade”.
O parlamentar sustentou ainda que “todas as movimentações [financeiras] mencionadas [no inquérito] são fruto de atividades profissionais e empresariais”.
Willer Tomaz também negou irregularidades.
Em nota divulgada à imprensa, o advogado afirmou que teria se tornado alvo da Polícia Federal porque emprestou sua aeronave a Weverton Rocha, segundo ele, “em caráter estritamente particular”.
Willer declarou ainda não possuir “qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários”.
Segundo a piauí, ele também afirmou não ser formalmente investigado pela PF. A revista acrescentou, porém, que fontes da própria Polícia Federal ouvidas pela publicação contestaram essa versão.
Juscelino também aparece na foto e reportagem cita Ministério das Comunicações
Embora as suspeitas financeiras detalhadas pela reportagem estejam concentradas principalmente na relação entre Weverton Rocha e Willer Tomaz, a presença de Juscelino Filho no encontro ganha outro componente relevante.
Em abril de 2023, quando a fotografia foi registrada, Juscelino comandava o Ministério das Comunicações.
A piauí relata que, naquele mesmo período, a pasta vinha tomando decisões favoráveis a Willer Tomaz.
Segundo a reportagem, um ex-sócio de Willer ocupava o cargo de diretor do Departamento de Radiodifusão Privada do Ministério das Comunicações.
Esse diretor teria permitido a expansão da TV Difusora do Maranhão.
O detalhe destacado pela revista é que, naquele momento, Willer Tomaz presidia o conselho de administração da emissora.
Assim, a reportagem aproxima temporalmente três elementos: Willer mantinha relações pessoais com Juscelino; o então ministro aparece na confraternização realizada na propriedade do advogado; e o Ministério comandado por Juscelino havia adotado decisão favorável à expansão de uma televisão cujo conselho era presidido por Willer.
A matéria, porém, não afirma que a presença de Juscelino na festa constitua prova de irregularidade ou que o então ministro tenha determinado pessoalmente a decisão administrativa citada.
Procurado pela piauí para comentar a fotografia e os demais fatos apresentados na reportagem, Juscelino Filho não respondeu às perguntas da revista.
Willer construiu relações com políticos influentes
A reportagem também reconstrói parte da trajetória do advogado.
Segundo a piauí, durante anos Willer e sua mulher, Flávia Oliveira Correa Tomaz, mantiveram uma vida mais modesta nos arredores de Brasília e possuíam uma loja de informática em Taguatinga.
Em agosto de 2010, Willer abriu seu escritório de advocacia. A partir daí, segundo a revista, ampliou progressivamente sua carteira de clientes e passou a circular entre políticos e empresários de grande influência.
O advogado — chamado de “WT” por pessoas próximas — já representou nomes importantes, entre eles Arthur Lira e os irmãos Wesley e Joesley Batista, do grupo J&F.
Em 2017, Willer chegou a ser preso sob suspeita de subornar um procurador em benefício dos irmãos Batista. Posteriormente, foi solto.
A reportagem lembra ainda de sua aproximação com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante a CPI da Covid, em 2021, o senador chegou a se referir publicamente a Willer como “meu amigo”.
Naquele período, o advogado entrou no radar da comissão diante de suspeitas de participação na negociação da vacina Covaxin, mas acabou excluído da investigação, segundo a própria reportagem.
Flávio não apareceria no chamado “Grupo Seleto”, mas já teria visitado o Rancho Tomaz em outra oportunidade e registrado a passagem pelo local em suas redes sociais.
Willer buscava vaga no CNJ no período da confraternização
Há ainda uma coincidência temporal destacada pela piauí.
Em abril de 2023, exatamente no período em que ocorreu o encontro no Rancho Tomaz, Willer tentava viabilizar sua indicação para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) destinada à escolha da Câmara dos Deputados.
Segundo a revista, o advogado chegou a ser considerado favorito para a vaga, em parte devido à sua influência política, mas posteriormente desistiu da candidatura.
O encontro no rancho, portanto, aconteceu em um momento em que Willer mantinha interlocução com algumas das figuras mais influentes do Congresso.
Arthur Lira, Ramagem, Elmar e Paulo Azi também são citados
Além dos dois maranhenses, a reportagem identifica outros integrantes do grupo.
Arthur Lira, então presidente da Câmara, aparece na fotografia. A revista informou que ele não respondeu aos questionamentos enviados.
Alexandre Ramagem, que naquele momento exercia mandato de deputado federal, também aparece na imagem e, segundo a reportagem, igualmente não respondeu.
Já Paulo Azi confirmou que esteve no rancho.
“Não é meu advogado, mas o conheço e fui convidado para essa comemoração”, afirmou o deputado à piauí.
O senador Hiran Gonçalves não confirmou se estava especificamente no encontro de abril de 2023, mas reconheceu frequentar a propriedade e disse conhecer Willer havia mais de 15 anos.
O senador Ângelo Coronel, que integrava o grupo de mensagens citado pela revista, afirmou não se lembrar daquela viagem específica, embora tenha confirmado já ter visitado o rancho.
Elmar Nascimento também reconheceu proximidade com Willer, mas disse que estava em Tiradentes, Minas Gerais, naquele fim de semana, onde recebeu a Medalha da Inconfidência.
Foto encontrada no celular amplia foco sobre relações políticas
A fotografia revelada pela piauí acrescenta uma dimensão política às investigações porque reúne, em um ambiente privado de Willer Tomaz, personagens que naquele momento ocupavam posições importantes em Brasília.
No caso do Maranhão, Weverton Rocha e Juscelino Filho aparecem no centro de dois contextos diferentes descritos pela reportagem.
Weverton surge diretamente relacionado às suspeitas financeiras investigadas pela Polícia Federal. O inquérito, conforme relatado pela revista, aponta transferências milionárias para sua mulher e levanta suspeitas sobre patrimônio e despesas supostamente custeadas por Willer. O senador nega irregularidades e sustenta a legalidade das movimentações.
Juscelino, por sua vez, aparece na confraternização justamente quando comandava o Ministério das Comunicações, pasta que, segundo a reportagem, havia adotado decisão favorável à expansão da TV Difusora do Maranhão enquanto Willer presidia o conselho da emissora.
A existência da fotografia não significa, isoladamente, envolvimento de Juscelino, Lira, Paulo Azi, Elmar Nascimento ou dos demais convidados nas supostas fraudes previdenciárias investigadas pela PF.
O que a imagem documenta — e que constitui um dos principais pontos da reportagem publicada neste sábado — é a proximidade pessoal de Willer Tomaz com integrantes de peso do Congresso, entre eles Weverton Rocha e Juscelino Filho.
Agora, segundo a piauí, essa rede de relações também está sob o olhar dos investigadores, enquanto a Polícia Federal procura esclarecer a origem e o destino dos recursos que integram o inquérito e qual teria sido, efetivamente, a participação de cada personagem nos fatos investigados.

