Senador maranhense aparece em documento de inteligência divulgado pelo STF após retirada de sigilo de procedimentos relacionados ao caso Master. PF afirma que houve diferença no nível de exigência probatória entre investigações.
O senador maranhense Weverton Rocha (PDT) aparece em documentos tornados públicos nesta sexta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de procedimentos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
A citação ao parlamentar ocorre em um relatório de inteligência da Polícia Federal que analisa a condução de diferentes investigações sob relatoria de Mendonça e faz uma comparação entre o caso envolvendo Weverton Rocha e o procedimento relacionado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O documento foi divulgado após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da Petição 15.556, que deu origem à investigação no Supremo, além de outros 14 procedimentos relacionados ao caso Banco Master. Permanecem sob sigilo apenas documentos ligados a diligências cuja publicidade poderia comprometer o andamento das apurações.
Segundo o relatório da PF, os dois casos teriam recebido tratamentos diferentes quanto ao grau de exigência probatória para adoção de medidas judiciais.
Comparação entre investigações
A investigação envolvendo Weverton Rocha está relacionada às apurações sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS, dentro da Operação Sem Desconto.
Já o procedimento envolvendo Ciro Nogueira trata de suspeitas sobre uma possível atuação em favor de interesses ligados ao Banco Master, instituição que tinha Daniel Vorcaro como controlador no período investigado.
De acordo com a Polícia Federal, houve uma “variação relevante no patamar de exigência probatória” entre os dois procedimentos em um intervalo pouco superior a cinco meses.
No caso envolvendo o senador maranhense, a PF chegou a solicitar sua prisão, apontando uma suposta posição de liderança em uma organização investigada. O pedido, porém, também registrava, segundo o relatório, a ausência de ato de ofício identificado, valor financeiro rastreado diretamente ao parlamentar ou diálogo em que ele aparecesse como interlocutor.
André Mendonça reconheceu a existência de “fortes indícios”, mas negou o pedido de prisão.
A investigação contra Weverton tramita na Petição 16.435 e teve origem em elementos encontrados em um aparelho celular atribuído ao parlamentar, posteriormente confrontados com dados produzidos na apuração sobre fraudes envolvendo o INSS.
Entre os nomes relacionados ao núcleo investigado estão o advogado Willer Tomaz de Souza, seu escritório e outras pessoas físicas.
Caso envolvendo Ciro Nogueira
A comparação feita pela PF com o caso de Ciro Nogueira é o motivo pelo qual o nome de Weverton Rocha aparece nos documentos divulgados no contexto do Banco Master.
Segundo a investigação, o procedimento envolvendo o senador piauiense reúne elementos considerados pela Polícia Federal como mais robustos sobre uma possível atuação parlamentar em defesa de interesses ligados ao banco.
Entre os elementos citados está a chamada “emenda Master”, uma proposta que, segundo a PF, teria sido elaborada a partir de interesses da instituição financeira e encaminhada à residência de Ciro Nogueira.
A investigação aponta ainda que o texto teria sido posteriormente apresentado no Senado e que mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicariam comemoração pela apresentação da proposta.
Relatórios não comprovam envolvimento no caso Master
Apesar da menção ao nome de Weverton Rocha nos documentos divulgados, os relatórios não apontam que o senador seja investigado por participação em suposto esquema envolvendo o Banco Master ou Daniel Vorcaro.
A referência ao parlamentar maranhense ocorre no contexto da análise feita pela Polícia Federal sobre os critérios utilizados nas duas investigações.
Relatórios de inteligência, por sua natureza, não possuem caráter decisório nem valor probatório isolado. O próprio ministro André Mendonça já questionou a legitimidade de um dos documentos, classificando-o como apócrifo, e ressaltou que o material reconhece que suas conclusões não têm valor de prova.
A investigação envolvendo Weverton permanece vinculada às suspeitas relacionadas às fraudes no INSS e às apurações sobre possível lavagem de dinheiro.
A divulgação dos documentos ocorre em meio à crise interna no STF envolvendo os procedimentos do caso Master. O material deverá ser analisado na sessão extraordinária da Corte marcada para terça-feira (15).

