Divulgada nesta segunda-feira (15), durante uma live inédita promovida pela parceria entre o Café Quente Podcast e o Instituto IPPI, o mais recente levantamento sobre a disputa ao Senado no Maranhão revelou um fenômeno que tem se repetido com frequência na política brasileira: a distância entre a percepção construída nas redes sociais e a realidade captada pelas pesquisas de opinião.
Poucos casos ilustram melhor essa situação do que os da senadora Eliziane Gama (PT) e do senador Weverton Rocha (PDT). Ambos são frequentemente alvo de críticas nos ambientes digitais e, não raramente, aparecem em debates políticos nas redes como nomes supostamente enfraquecidos eleitoralmente. Os números, porém, contam uma história diferente.
No cenário de primeiro voto para o Senado, Roseana Sarney lidera com 17,4%, seguida por Weverton Rocha, com 14,1%. Na sequência aparecem Duarte Júnior, com 10,2%, Eliziane Gama, com 8,6%, e Roberto Rocha, com 8,3%, todos em empate técnico quando se leva em consideração a margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. Em uma disputa marcada pela fragmentação dos votos, tanto Weverton quanto Eliziane permanecem inseridos no grupo dos candidatos com reais condições de disputar uma das duas vagas em jogo.
O caso de Eliziane talvez seja o mais emblemático. Nos últimos anos, a senadora passou a enfrentar uma forte onda de críticas de setores ligados à direita bolsonarista, movimento que ganhou intensidade após sua filiação ao PT.
Antes de ingressar no partido de Lula,,Eliziane já integrava um campo político alinhado à centro-esquerda. Em 2018, foi eleita senadora na chapa liderada por Flávio Dino, político cuja trajetória foi construída no PCdoB e posteriormente no PSB. Ainda assim, a filiação ao partido do presidente Lula ampliou sua exposição a críticas em setores conservadores das redes sociais como se ela tivesse abandonado princípios políticos.
Além da pesquisa Café Quente/IPPI, todos os demais levantamentos feitos para o senado até aqui, mostram que esse ambiente digital não está produzindo o impacto eleitoral que muitos imaginam. Apesar do volume de críticas, Eliziane continua aparecendo entre os nomes mais competitivos da disputa e mantém presença relevante na preferência dos eleitores.
Weverton Rocha vive situação semelhante. Embora também seja alvo frequente de questionamentos e críticas nas redes sociais, especialmente em função de investigações relacionadas ao INSS, o senador do PDT aparece em posição ainda mais confortável em todas as pesquisas, ocupando a segunda colocação no primeiro voto e consolidando-se como um dos principais concorrentes às vagas do Senado.
O contraste entre redes sociais e pesquisas não é novidade. Plataformas digitais costumam concentrar usuários mais engajados politicamente, especialmente da extrema direita, amplificando críticas, campanhas de mobilização e disputas narrativas. Já os levantamentos estatísticos alcançam um universo muito mais amplo, incluindo eleitores que raramente participam do debate político online.
Na prática, isso significa que um candidato pode enfrentar forte contestação na internet e, ao mesmo tempo, continuar competitivo junto ao eleitorado em geral. O fenômeno já foi observado em diversas eleições brasileiras e volta a aparecer no Maranhão.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo Instituto IPPI Pesquisas e Consultorias em parceria com o Café Quente Podcast entre os dias 9 e 13 de junho de 2026, com 1.500 entrevistas presenciais realizadas em 79 municípios maranhenses. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MA-03193/2026.


