Relator do caso Master afirma que cópia dos dados entregue pela PF permanece lacrada em seu gabinete; Zanin havia solicitado acesso integral ao conteúdo antes de julgamento marcado para terça-feira (15)
BRASÍLIA, 11 de setembro de 2026 — Relator das investigações envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não atendeu, nesta sexta-feira (11), ao pedido do ministro Cristiano Zanin para que fosse liberado o acesso integral ao conteúdo de um dos celulares de Daniel Vorcaro.
Em resposta encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça afirmou que uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho foi entregue voluntariamente pela Polícia Federal (PF) ao seu gabinete, mas permanece lacrada e intocada.
Segundo o relator, os dados originais extraídos do celular continuam sob a custódia da Polícia Federal, armazenados em um depósito da própria instituição.
O posicionamento foi apresentado depois de Zanin solicitar a liberação da mídia referente ao aparelho de Vorcaro apreendido pela PF em novembro de 2025. Zanin argumentou que o material está diretamente relacionado ao caso e que a determinação da Presidência do Supremo para a retirada do sigilo já alcançaria o conteúdo.
O ministro sustentou ainda que o acesso à mídia seria necessário para permitir uma apreciação “necessária e completa” do caso no julgamento marcado para a próxima terça-feira (15).
Na sessão, o plenário deverá analisar relatório da Polícia Federal que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro. O julgamento poderá resultar na abertura de investigação contra Moraes ou na anulação do documento que registra diálogos entre o ministro e Vorcaro, conforme pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 1º de setembro.
Fachin cobra retirada de sigilo
Também nesta sexta-feira (11), o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que André Mendonça retire, no prazo de até 24 horas, o sigilo dos documentos que integram as investigações relacionadas ao caso Banco Master no Supremo.
A medida atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, além de solicitações apresentadas pelos ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
Apesar da determinação mais ampla de publicidade dos autos, Mendonça informou que a cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro entregue ao seu gabinete permanece lacrada e não foi manuseada.

