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A divulgação, neste domingo (19), de um vídeo atribuído a Raimundo Cutrim e supostamente gravado dias antes da operação da Polícia Federal coloca em dúvida a eficácia da estratégia política adotada pelo ex-deputado.
A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e executada na sexta-feira (17), teve Cutrim entre os alvos. Ele cumpre prisão domiciliar. Também foram presos um funcionário ligado ao ex-deputado e um policial. A investigação apura suspeitas de coação no curso do processo e obstrução de Justiça.
No vídeo, Cutrim afirma que já sabia que seria alvo da PF, acusa o ministro Flávio Dino e cita parlamentares, mas não apresenta documentos, mensagens ou outros elementos que sustentem as declarações. Nesse sentido, o material se aproxima mais de uma peça de defesa política destinada a proteger sua imagem e a de seu grupo do que de uma resposta jurídica às acusações.
A narrativa adotada pelo ex-deputado repete argumentos levantados por atores políticos e setores da imprensa próximos ao governo estadual. Questionar a imparcialidade do julgador ou pedir seu afastamento é uma medida prevista em lei, mas a alegação precisa estar apoiada em fatos concretos. Sem provas, o discurso político não basta para afastar o juiz natural da causa nem para comprometer a validade da operação.
A publicação do vídeo somente após a prisão também exige esclarecimentos. Caso a decisão que impôs a prisão domiciliar tenha determinado incomunicabilidade e proibido o uso de telefone, redes sociais ou outros meios de comunicação, será necessário esclarecer quem divulgou o material, quando recebeu o arquivo e se houve alguma participação de Cutrim depois do cumprimento da ordem judicial. O simples fato de o vídeo ter sido publicado por terceiros não comprova, por si só, descumprimento da medida.
A gravação produz ainda outra questão: se o vídeo foi realmente feito antes de a operação sigilosa se tornar pública, como Cutrim, um dos alvos, soube antecipadamente da ação?
O fato de ele ser investigado justamente por suspeitas de coação no curso do processo e obstrução de Justiça faz com que a gravação prévia e sua divulgação posterior acrescentem novos pontos de atenção ao caso. Em vez de afastar as suspeitas, a estratégia poderá obrigar a defesa a explicar tanto a origem da informação quanto as circunstâncias em que o vídeo chegou à imprensa.

