Decisão do ministro André Mendonça detalha a estrutura de lavagem de dinheiro, o papel de familiares do senador e o envolvimento de operadores financeiros no esquema de fraudes no INSS.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de uma das decisões fundamentais no âmbito da Operação Sem Desconto. O documento detalha as apurações da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS e a estrutura de lavagem de dinheiro associada ao grupo.
As apurações apontam o senador Weverton Rocha (PDT-MA) como a liderança política e beneficiário de repasses ilícitos.
O papel de Weverton Rocha no esquema
De acordo com o relatório acolhido pelo STF:
Liderança e cobranças: O parlamentar atuava na formulação de demandas, cobrança de repasses e direcionamento estratégico do grupo.
Gestão de patrimônio: Coordenava a aquisição de bens de alto valor — como imóveis, fazendas e aeronaves — mantidos sob o nome de terceiros ou empresas de fachada.
Comando operacional: Mantinha orientação direta sobre familiares e operadores quanto ao fluxo de caixa ilícito e registros de valores.
Quem são os envolvidos: núcleo familiar e operadores
A investigação detalha a divisão de tarefas entre parentes do parlamentar e operadores externos:
Núcleo Familiar
Samya Lorene de O. Bernardes Rocha (Esposa): Vinculada à empresa Rocha Holding. Recebeu transferências expressivas em sua conta pessoal, incluindo repasses diretos de R$ 500 mil e mais de R$ 11 milhões originados de empresas e do escritório do advogado Willer Tomaz.
Anna Catarina Viana Rocha (Filha): Atuava na administração do caixa de postos de combustível (Petro São Francisco e Petro São José). Segundo a PF, ela teria simulado contratos de empréstimo (mútuo) de R$ 5 milhões e R$ 2 milhões para justificar a entrada de recursos ilícitos.
Geyse Rocha Linhares (Irmã): Responsável pela administração de fazendas, empresas de radiodifusão e rotinas cartorárias, prestando contas diretamente ao senador e operando valores em espécie.
Shainess Kellmassen Rocha M. de Sousa (Irmã): Utilizada como “conta de passagem”. Registrou transferências ao senador e movimentações operadas por Geyse, além de depósitos em dinheiro vivo.
Operadores Financeiros e Parceiros de Negócios
Willer Tomaz de Souza (Advogado/Empresário): Apontado pela PF como o hub financeiro, patrimonial e logístico do grupo. Uma de suas empresas adquiriu por R$ 6 milhões a mansão no Lago Sul, em Brasília, utilizada por Weverton Rocha.
Fayla Zulmira Menezes: Gerente financeira ligada a Willer Tomaz. Controlava planilhas, comprovantes de depósitos e entregas em espécie.
Erlânio Furtado Luna Xavier: Sócio de negócios da família no setor de combustíveis e agronegócio.
Frederico de Abreu Silva Campos (Qualitech Engenharia Ltda.): A empreiteira injetou R$ 5 milhões na rede de postos da família, que repassou o exato mesmo valor no mesmo dia para a empresa DJ Agropecuária.
Daniel de Faria Jerônimo Leite: Associado ao transporte e recolhimento de maços de dinheiro vivo.
As engrenagens da lavagem de dinheiro
A PF identificou que os recursos oriundos do INSS passavam por fases de ocultação e integração ao mercado formal:
Circulação de Dinheiro Vivo: Transporte de valores em espécie entre o Distrito Federal e o Maranhão em aeronaves privadas.
Triangulação Comercial: Uso de postos de combustível e empresas do agronegócio para movimentar milhões de reais desproporcionais à sua capacidade operacional.
Contratos e Serviços de Advocacia: Repasses rotulados como honorários advocatícios para disfarçar a origem das transferências.

