A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), uma nova fase da investigação sobre o esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação cumpre 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
Entre os alvos estão o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), conforme divulgado pela revista Veja. Até o momento, não há informação oficial de que o próprio senador seja alvo de mandado de busca e apreensão ou figure como investigado nesta fase da operação.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de um grupo suspeito de movimentar recursos provenientes das fraudes por meio de pessoas físicas, empresas, contas bancárias de terceiros e operações com dinheiro em espécie, em um suposto esquema destinado a ocultar a origem e a destinação dos valores.
Durante uma das diligências, os policiais encontraram uma máquina utilizada para contar dinheiro em espécie, elemento que passa a integrar o conjunto de provas analisadas pelos investigadores. A PF também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
As investigações tiveram início após a identificação de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que estruturas empresariais e contas de terceiros teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.
Um dos principais alvos da operação é o advogado Willer Tomaz, conhecido por atuar em causas de grande repercussão e por representar importantes lideranças políticas. A reportagem da Veja destaca ainda que ele mantém relações no meio político, tendo atuado para integrantes do Centrão e possuindo proximidade com diversas lideranças nacionais. Em 2017, Willer chegou a ser preso durante uma investigação derivada da Operação Lava Jato, mas aquele processo acabou posteriormente arquivado por falta de provas.
No caso de Weverton Rocha, a revista informa que familiares do senador estão entre os alvos da operação. O parlamentar é vice-líder do governo Lula no Senado e uma das principais lideranças do PDT no Maranhão. Nos últimos dias, esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventos políticos relacionados à formalização do apoio do partido ao projeto de reeleição do chefe do Executivo.
Além das informações divulgadas nacionalmente, veículos de imprensa do Maranhão noticiaram que equipes da Polícia Federal estiveram em um apartamento ligado ao senador, em São Luís. Até o momento, entretanto, a Polícia Federal não detalhou a relação de todos os alvos da operação nem confirmou oficialmente que o imóvel tenha sido objeto de mandado de busca relacionado diretamente ao parlamentar.
A investigação faz parte do inquérito que apura um dos maiores esquemas de fraudes já identificados no INSS. Segundo estimativas divulgadas pelas autoridades, os desvios ultrapassam R$ 6 bilhões, afetando milhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos considerados ilegais. O governo federal já iniciou o processo de ressarcimento dos beneficiários prejudicados.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer o papel de cada um dos alvos e rastrear o destino dos recursos supostamente desviados.

