A visita do presidente nacional do PT, Edinho Silva, ao Maranhão, marcada para a próxima sexta-feira (15), é a grande aposta do grupo do vice-governador Felipe Camarão, para consolidar a sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões e, ao mesmo tempo, reduzir as tensões internas que ainda persistem dentro da legenda.
O evento, intitulado em São Luís reunirá militância, dirigentes partidários e lideranças políticas do campo petista. A agenda ocorre poucos dias após o fortalecimento público da tese de que Felipe Camarão é o nome preferencial do PT para a disputa pelo Governo do Maranhão em 2026, afastando, ao menos no plano formal, a hipótese de alinhamento institucional do partido com o grupo do governador Carlos Brandão.
A presença de Edinho Silva é vista como um gesto inequívoco do diretório nacional para dar musculatura política ao projeto de Camarão. Ex-prefeito de Araraquara por quatro mandatos, ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no governo Dilma Rousseff e hoje uma das principais vozes da direção nacional petista, Edinho desembarca no estado com a missão de reforçar a unidade interna em torno do projeto partidário de Felipe.
Apesar da chancela nacional, o ambiente interno do PT maranhense ainda está longe da plena pacificação, lideranças do partido seguem defendendo alternativas diferentes da candidatura própria. Há quem sustente a tese de palanque duplo, permitindo que setores do PT transitem entre diferentes projetos majoritários, enquanto outros quadros já manifestam simpatia mais explícita pela pré-candidatura de Orleans Brandão, nome ligado ao grupo governista.
Entre os casos mais visíveis estão os de Patrícia Carlos e Cricielle Muniz, cujos posicionamentos são sinais claros de resistência ao fechamento integral do partido em torno de Felipe Camarão. Mais discreto, o deputado federal Rubens Jr. atua nos bastidores para uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Braide.
O desafio de Edinho, portanto, não será apenas político, mas também simbólico: demonstrar que a decisão nacional não representa apenas uma preferência circunstancial, mas uma orientação partidária com capacidade real de unificar a legenda no Maranhão.
A aposta de aliados de Camarão é que a presença de uma liderança nacional com peso político e trânsito interno no PT ajude a reorganizar o discurso do partido e reduza ruídos num momento em que a disputa de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos.
Se conseguirá pacificar integralmente a legenda, ainda é cedo para afirmar. Mas, dentro do PT, a expectativa é clara: a sexta-feira será menos um ato protocolar e mais um teste concreto de unidade.

