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Biografia publicada no site oficial da Câmara declara vínculo com o grupo político; investigação anterior foi arquivada em 2023 a pedido do Ministério Público
O policial civil e vereador de Colinas Gaudêncio Correia Lima Neto, ligado ao Grupo Brandão, foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (28), no âmbito da Operação Habeas Votum, que apura suspeitas de coação eleitoral, violência sexual, ameaças e abuso de autoridade. O parlamentar já havia sido investigado por suspeita de abuso de autoridade em outro episódio, cujo procedimento foi arquivado pela Justiça em 2023.
A ligação política está registrada na própria biografia informada pelo vereador e publicada no site oficial da Câmara Municipal de Colinas. “Sempre fez parte do Grupo Brandão”, afirma o texto, que associa sua trajetória no grupo à entrada na disputa por uma cadeira no Legislativo municipal em 2016.
A apresentação institucional identifica Gaudêncio como filiado ao PSB, relata sua atuação como investigador da Polícia Civil e descreve o caminho até assumir o mandato de vereador.
Operação apura intimidação política
Segundo o comunicado da Polícia Federal, a Operação Habeas Votum foi deflagrada para aprofundar uma investigação sobre possíveis crimes cometidos contra uma cidadã de Colinas. A apuração tramita sob supervisão da Justiça Eleitoral em razão da possível ligação entre os atos de intimidação, o exercício abusivo da função pública e divergências políticas entre os envolvidos.
De acordo com a PF, a mulher e os investigados apoiavam candidaturas distintas nas eleições de 2026. Nesse contexto, ela teria sido submetida a violência sexual e ameaças para que interrompesse manifestações políticas nas redes sociais.
Por determinação judicial, a operação envolve dois mandados de prisão temporária, três mandados de busca e apreensão domiciliar e dois de busca pessoal. Também foram determinados o afastamento cautelar de dois investigados de suas funções públicas e a suspensão do porte de arma de fogo.
A PF informou que as medidas têm como objetivo preservar provas, impedir a eventual continuidade das condutas investigadas e resguardar a segurança da vítima e de terceiros.
Os investigados poderão responder, em tese, por coação eleitoral, estupro, associação criminosa armada, ameaça e abuso de autoridade, além de outras infrações que venham a ser identificadas. O comunicado não individualiza a conduta atribuída a cada alvo.
Gaudêncio foi investigado em outro procedimento
O nome de Gaudêncio também aparece em um procedimento anterior da 1ª Vara de Colinas, distribuído em 24 de abril de 2023. Naquele caso, ele e três policiais militares foram investigados pela possível prática do crime previsto no artigo 28 da Lei de Abuso de Autoridade.
O dispositivo trata da divulgação de gravação ou trecho sem relação com a prova que se pretende produzir, expondo a intimidade ou a vida privada, ou atingindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado. A decisão enviada à reportagem não detalha qual gravação motivou a apuração nem descreve individualmente a atuação de cada policial.
Além de Gaudêncio, foram citados Francisco das Chagas Rodrigues da Luz, Naythacio de Sousa Carvalho e Adão Borges de Oliveira Júnior.
Após analisar o caso, o Ministério Público do Maranhão pediu o arquivamento por entender que os fatos narrados não configuravam crime. A decisão registra também o entendimento ministerial de que os policiais haviam agido no estrito cumprimento do dever legal.
O juiz Sílvio Alves Nascimento acolheu o pedido e determinou o arquivamento dos autos. O registro do documento informa assinatura em 3 de outubro de 2023.
Assim, embora a suspeita de abuso de autoridade apareça nas duas apurações, o procedimento anterior foi arquivado e não resultou em condenação. Os documentos analisados não apontam ligação entre aquele episódio e a operação atual.
Vínculo político declarado na biografia
Na biografia publicada pela Câmara de Colinas, Gaudêncio informa que chegou ao município em 1998 para exercer suas funções policiais. O texto destaca sua integração ao Grupo Brandão e relata que, em 2016, foi escolhido para concorrer a vereador, ficando como primeiro suplente.
Em 2020, voltou a disputar uma vaga e assumiu temporariamente uma cadeira. A apresentação registra sua posterior atuação como integrante do Legislativo municipal.
A referência ao Grupo Brandão é expressa na apresentação do próprio parlamentar. Os materiais analisados, entretanto, não atribuem a integrantes da família Brandão participação nos fatos investigados pela Polícia Federal.
A PF ressalta que a investigação permanece em andamento e que as responsabilidades individuais serão apontadas após a conclusão das diligências. A prisão temporária é uma medida cautelar e não representa condenação.

