Operação Habeas Votum cumpre dois mandados de prisão temporária; investigação apura intimidação contra mulher para interromper manifestações políticas nas redes sociais
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (28) a Operação Habeas Votum, que investiga suspeitas de violência sexual, ameaças e coação eleitoral contra uma mulher em Colinas, no Maranhão. Entre os alvos estão o delegado da cidade e o vereador Gaudêncio Correia Lima Neto, que também é investigador da Polícia Civil, segundo informações publicadas pelo site Filipe Mota.
A operação envolve o cumprimento de dois mandados de prisão temporária, três de busca e apreensão domiciliar e dois de busca pessoal. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de dois investigados das funções públicas e a suspensão do porte de arma de fogo.
De acordo com a Polícia Federal, a vítima e os supostos envolvidos apoiavam candidaturas distintas nas eleições de 2026. A suspeita é de que a mulher tenha sofrido violência sexual e ameaças para ser constrangida a interromper suas manifestações políticas nas redes sociais.
Relato envolve intimidação de familiares
Segundo o site Filipe Mota, a mulher acusa o delegado e Gaudêncio de terem seguido seu filho e conduzido ilegalmente um sobrinho à delegacia, como forma de obrigá-la a comparecer ao local.
Ainda conforme a publicação, ao chegar à unidade policial, ela teria recebido do delegado uma mensagem escrita em papel para que não falasse mais de Brandão. O site também relata que a mulher acusa o delegado de estupro.
Esses detalhes são atribuídos ao relato publicado pelo veículo. No comunicado da Polícia Federal, a suspeita de violência sexual é mencionada sem identificação nominal dos envolvidos ou descrição da conduta atribuída a cada investigado.
Vereador declara ligação com o Grupo Brandão
Gaudêncio tem sua ligação com o Grupo Brandão registrada na própria biografia informada pelo parlamentar e publicada no site oficial da Câmara Municipal de Colinas.
“Sempre fez parte do Grupo Brandão”, afirma a apresentação institucional, que o identifica como filiado ao PSB e relata sua trajetória na Polícia Civil e no Legislativo municipal.
O vínculo político declarado pelo vereador compõe seu histórico público. O comunicado da PF não atribui participação nos fatos a integrantes da família Brandão.
Investigação está na Justiça Eleitoral
A apuração tramita sob supervisão da Justiça Eleitoral pela possível relação entre as divergências políticas, os atos de intimidação e o exercício abusivo da função pública.
Segundo a PF, as medidas judiciais buscam proteger a mulher e terceiros, preservar as provas e impedir que as condutas investigadas continuem.
Os possíveis crimes apurados incluem coação eleitoral, estupro, associação criminosa armada, ameaça e abuso de autoridade. Outras infrações relacionadas aos fatos poderão ser identificadas durante as diligências.
A Polícia Federal ressalta que a investigação continua e que as responsabilidades individuais serão apontadas ao término da apuração. As suspeitas descritas não representam uma conclusão de culpa dos investigados.

