Conhecido por construir sua trajetória política em conexão direta com o eleitor e por adotar um discurso crítico à classe política, o deputado federal Duarte Jr. (Avante) parece estar retomando uma estratégia que marcou boa parte de sua carreira política.
Em 2024, durante a disputa pela Prefeitura de São Luís, Duarte buscou ampliar alianças e suavizar parte do estilo de enfrentamento que o projetou. A mudança, porém, não produziu o resultado esperado. O parlamentar terminou a eleição em segundo lugar, derrotado por Eduardo Braide, reeleito ainda no primeiro turno com mais de 70% dos votos válidos.
Agora, em mais uma disputa majoritária, desta vez pelo Senado, Duarte volta a apostar no confronto direto com adversários e lideranças políticas.
Nos últimos dias, o deputado protagonizou uma troca de farpas com o senador Weverton Rocha (PDT). Weverton criticou o que chamou de uso de CPIs para ganhar visibilidade às custas da reputação alheia e afirmou que não participaria desse tipo de “palhaçada”, feita, segundo ele, apenas para produzir exposição política.
Duarte reagiu em tom duro:
“Aqui vocês encontrarão tudo, menos luxo, menos requinte, menos dinheiro desviado do Banco Master, menos dinheiro do Vorcaro, menos dinheiro roubado dos aposentados. Só quem tem medo de CPI é quem rouba e quem tem vontade de roubar.”
Em uma entrevista na quinta-feira (28), para explicar a saída do União Brasil, o parlamentar elevou novamente o tom, desta vez contra o deputado federal Pedro Lucas Fernandes.
Duarte afirmou que sua filiação ao União Brasil não foi concretizada após ele recusar dois pedidos que, segundo sua versão, teriam sido feitos por Pedro Lucas: votar favoravelmente à chamada PEC da Blindagem e retirar da CPMI do INSS um requerimento para convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master.
Segundo Duarte, a vaga que ocupou na comissão teria sido viabilizada por uma articulação envolvendo Pedro Lucas, sob a expectativa de uma futura filiação ao partido. A migração, entretanto, não ocorreu.
Pedro Lucas não havia se manifestado publicamente sobre as declarações até a publicação das primeiras reportagens sobre o assunto.
O movimento chama atenção porque recoloca Duarte em uma posição política que lhe trouxe notoriedade ao longo dos anos: a de crítico dos acordos de bastidores e de enfrentamento aberto a lideranças tradicionais.
A dúvida que passa a acompanhar sua pré-campanha é se essa estratégia produzirá resultados eleitorais. Apesar de majoritária, a eleição para o Senado exige ampla formação de alianças, apoios regionais e articulação com lideranças políticas em praticamente todos os municípios do estado.
E esse sempre foi um ponto sensível para Duarte: sua relação difícil com parte expressiva da classe política.
Resta saber se a aposta em retomar a artilharia contra os políticos tradicionais será suficiente para impulsionar sua candidatura ou se, no Senado, a conta eleitoral cobrará mais do que confronto e visibilidade.


