A divulgação da pesquisa Econométrica/O Imparcial, neste fim de semana, trouxe um dado curioso que vai além dos números frios da disputa pelo Governo do Maranhão: mesmo aparecendo em quarto lugar no cenário estimulado, com 4,6% das intenções de voto, o vice-governador Felipe Camarão continua ocupando espaço central no discurso de alguns setores da imprensa política local.
A pergunta que emerge é objetiva: se Camarão, segundo esse levantamento, estaria distante da disputa principal, por que a insistência em transformá-lo no personagem central de manchetes, análises e ataques editoriais?
O próprio recorte da cobertura ajuda a explicar o fenômeno. Veículos repercutiram a pesquisa não apenas informando os números, o que seria absolutamente natural, mas construindo narrativas específicas para associar o desempenho do petista a uma suposta fragilidade política, inclusive vinculando diretamente sua posição ao recente gesto público de apoio do presidente Lula.
É uma escolha editorial legítima. Mas politicamente reveladora.
Se um nome supostamente “fora do jogo” continua mobilizando tanta energia narrativa, talvez o debate real não esteja apenas no retrato desta pesquisa, mas no peso político que determinados atores atribuem ao vice-governador no médio prazo.
A Econométrica/O Imparcial mostra, Eduardo Braide com 39,6%, Orleans Brandão com 39,1%, Lahesio Bonfim com 8,6% e Felipe Camarão com 4,6% no cenário estimulado. No espontâneo, Camarão aparece com 2,9%. São números que refletem o momento atual, ainda distante do calendário eleitoral efetivo e de definições partidárias mais consolidadas.
O mais curioso é que o líder nas pesquisas, Eduardo Braide, apesar da perfomance nas pesquisas, segue tendo menor atenção, especialmente dos blogs governistas, que têm mirado a artilharia mais para críticas à prefeita Esmênia, aliada de Braide.
No fim, fica a questão política que o próprio noticiário parece ajudar a formular: se Felipe Camarão realmente não representa ameaça competitiva, por que permanece como alvo recorrente?

