Mudança no comando do governo altera a correlação de forças em torno das cadeiras hoje travadas no STF. Carlos Lula e Rodrigo Lago, que estiveram politicamente próximos de Eduardo Braide durante a eleição, são dois dos nomes que podem entrar na discussão quando os processos forem retomados.
A eleição de Eduardo Braide para o Governo do Maranhão muda o ambiente político de uma disputa que se arrasta há mais de dois anos: o preenchimento de duas vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).
Uma das cadeiras, aberta com a aposentadoria de Washington Oliveira, cabe à Assembleia Legislativa. A outra, decorrente da aposentadoria de Álvaro César Ferreira, é de indicação do governador. Os dois processos estão suspensos no Supremo Tribunal Federal, em ações que questionam as regras adotadas para a escolha dos conselheiros.
A derrota do grupo de Carlos Brandão na sucessão estadual não produz efeito jurídico sobre essas ações, mas altera o cenário político em que as vagas voltarão a ser discutidas. Com Braide no comando do Executivo a partir de 2027, a composição de forças em torno das indicações será outra.
É nesse contexto que surgem as especulações envolvendo Carlos Lula e Rodrigo Lago.
Carlos Lula já demonstrou interesse em uma cadeira no Tribunal de Contas. Além disso, foi um dos primeiros nomes do grupo ligado ao ex-governador Flávio Dino a defender politicamente a candidatura de Braide. A aproximação foi mantida mesmo depois de seu partido decidir seguir com Felipe Camarão na disputa pelo governo.
A relação construída durante a eleição passou a ser um elemento adicional nas conversas sobre o futuro do TCE. Não significa que exista indicação acertada, mas coloca Carlos Lula em uma posição diferente daquela existente antes da eleição.
Rodrigo Lago também terminou a campanha próximo de Braide. O deputado teve participação importante nas disputas travadas na Assembleia durante o rompimento entre os grupos de Brandão e Dino e esteve entre os nomes mais ativos na sustentação política da candidatura do atual prefeito de São Luís ao governo. Na reta final, Braide chegou a pedir publicamente votos para Lago.
Esse vínculo político também ajuda a explicar por que o nome do deputado passou a ser considerado numa eventual rearrumação das vagas do Tribunal de Contas.
Por enquanto, no entanto, tudo permanece no campo político. Não há nomes formalmente definidos para as duas cadeiras. O primeiro movimento terá de vir do Supremo, que ainda precisa decidir sobre os processos que suspenderam as escolhas e estabelecer em que condições elas poderão ser retomadas.
Quando isso ocorrer, uma das indicações passará diretamente pelo novo governador e a outra dependerá da correlação de forças dentro da Assembleia Legislativa.
A eleição de Braide, portanto, não resolve o impasse do TCE, mas muda os atores com capacidade de influenciar sua solução. E, nesse novo desenho, Carlos Lula e Rodrigo Lago chegam à discussão não apenas pela trajetória que tiveram nas disputas da Assembleia, mas também pela relação política construída com o governador eleito ao longo da campanha de 2026.

