O alto índice de abstenções, e percentuais baixos dados aos candidatos ao Senado em todas as pesquisas até aqui divulgadas mostram um dado muito claro: o eleitor maranhense não se encanta mais por nomes tradicionais da política e nem por figuras ligadas à políticos longevos, sejam de direita ou de esquerda. O cenário atual revela uma fragmentação que sinaliza um divórcio entre as estratégias dos principais nomes colocados até aqui e o desejo das ruas, onde figuras carimbadas enfrentam dificuldades para furar a bolha de suas próprias rejeições.
A tentativa do Palácio dos Leões de organizar um pool de candidaturas, incluindo nomes como Roseana Sarney e Weverton Rocha, parece esbarrar em um sentimento de fadiga eleitoral. Embora esses políticos ocupem os primeiros lugares na lembrança imediata do eleitor e liderem em muitas pesquisas, eles operam sob um teto baixo. O eleitorado demonstra que o apoio da máquina estatal não tem sido suficiente para converter nomes conhecidos em favoritos absolutos, especialmente em um quadro de reprovação considerável do governo estadual
O perfil dos candidatos tradicionais é o principal entrave. Roseana Sarney, por exemplo, encarna a imagem de uma política que “envelheceu” para as demandas atuais; ela lidera os índices de rejeição, com mais de um terço do eleitorado afirmando que não votaria nela de jeito nenhum. É uma candidatura que carrega a história, mas que hoje parece desconectada da busca por novos ares.
Os demais pré-candidatos ligados ao Palácio simplemente não chamaram ainda a atenção do eleitorado, todos orbitando entre 6% e 9% das intenções de voto, com alta taxa de desconhecimento ou desinteresse mesmo.
Mas a fadiga do eleitor não está apenas associada ao consórcio do Palácio. O sentimento de mudança também atinge nomes consolidados da direita que não tem proximidade com o Palácio dos leões. Roberto Rocha é o caso mais emblemático, Apesar de consolidado junto ao eleitorado bolsonarista, é rejeitado nos outros dois terços do eleitorado. Sua imagem é predominantemente negativa e sua rejeição consolidada impede que ele avance sobre novos nichos de eleitores. Ele possui uma base de apoio, mas não consegue ser uma opção transversal para o restante da população.
O recado mais contundente das pesquisas é o desejo de ruptura com o modelo atual. Nada menos que 80% dos maranhenses afirmam preferir um candidato que faça uma gestão diferente da atual. Esse anseio por renovação explica por que a soma de votos brancos, nulos e indecisos supera o desempenho individual de qualquer cacique político no cenário consolidado.
Enquanto o Palácio dos Leões tenta manter o jogo com peças conhecidas, o eleitorado maranhense parece estar “órfão” de uma alternativa que realmente represente o novo. A desaprovação crescente do governador Carlos Brandão e a imagem negativa de seus principais aliados indica que o “consórcio” governista pode estar subestimando a sede de mudança de um estado que não se vê mais refletido nas velhas alianças, sejam elas de direita ou de esquerda. Isso pode não aparecer nas pesquisas encomendadas pelos candidatos, mas é um dado claro nas avaliações

