Polícia Federal relata abastecimentos vinculados a pessoas ligadas à campanha política, apreensão de celulares e indícios de possível envolvimento do prefeito Rigo Telles; caso apura possível corrupção eleitoral
A Polícia Federal encaminhou neste domingo (4) ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) um pedido de autorização para a instauração de inquérito policial eleitoral destinado a investigar uma possível prática de compra de votos por meio da oferta ou distribuição de combustível em Barra do Corda.
O procedimento tramita no TRE-MA sob o número 0601956-09.2026.6.10.0000 e tem como assunto a possível prática de captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral. A investigação preliminar tem como referência o procedimento 2026.0116194-SR/PF/MA.
De acordo com a documentação encaminhada pela Polícia Federal à Justiça Eleitoral, equipes que atuavam na fiscalização eleitoral em Barra do Corda identificaram abastecimentos no Posto Free Center Alvorada sem pagamento imediato. A suspeita é de que parte do combustível teria sido fornecida a eleitores ou pessoas vinculadas à campanha política com finalidade eleitoral.
No pedido enviado ao TRE-MA, a PF afirma que os elementos reunidos até agora apontam para possível envolvimento do prefeito de Barra do Corda, Rigo Telles. Por ocupar o cargo de prefeito, a análise sobre a abertura formal da investigação foi encaminhada ao Tribunal em razão da possibilidade de foro por prerrogativa de função.
Depoimentos relatam abastecimentos ligados à campanha
Funcionários do posto foram ouvidos pela Polícia Federal. Uma frentista relatou que alguns veículos eram abastecidos sem pagamento no momento da operação e que eram feitas anotações para cobrança posterior.
Outro funcionário, responsável pelo controle dos abastecimentos, afirmou que, durante o período eleitoral, pessoas ligadas à campanha política realizavam abastecimentos registrados em nome de responsáveis previamente indicados ao estabelecimento.
Segundo o depoimento, essa modalidade não estaria disponível para qualquer cliente. Os responsáveis seriam conhecidos pelos funcionários e ligados ao grupo político do prefeito. O funcionário também afirmou ter percebido aumento significativo desses abastecimentos no último mês, movimentação que, segundo ele, coincidia com o período eleitoral.
O depoente declarou ainda acreditar que as despesas estavam relacionadas às atividades de campanha. Muitos dos registros encontrados correspondiam a abastecimentos de aproximadamente 20 a 30 litros de combustível.
Notas e celulares foram apreendidos
A documentação apresentada à Justiça Eleitoral inclui registros de abastecimentos, anotações internas do posto, cupons fiscais e informações sobre veículos que receberam combustível.
A Polícia Federal também formalizou a apreensão de dois telefones celulares: um iPhone 13 que estava com uma funcionária do posto e um Redmi Note 12S que estava em posse do funcionário responsável pelo controle dos abastecimentos.
O material poderá ser analisado para verificar eventuais comunicações, autorizações ou outros elementos capazes de esclarecer quem determinava os abastecimentos, quem eram os beneficiários e como as despesas eram posteriormente pagas.
PF quer aprofundar investigação
No documento enviado ao presidente do TRE-MA, a Polícia Federal sustenta que as diligências preliminares produziram elementos suficientes para justificar o aprofundamento das apurações sobre a possível prática do crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, relacionado à corrupção eleitoral.
A PF pede autorização para prosseguir com as diligências destinadas a esclarecer a materialidade dos fatos e identificar seus possíveis responsáveis.
Até este momento, não há condenação nem conclusão definitiva de que houve compra de votos. O que existe é uma apuração preliminar e um pedido da Polícia Federal para que o TRE-MA autorize formalmente a instauração do inquérito eleitoral e o aprofundamento das investigações.

