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Divulgada nesta quarta-feira (6), a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa presidencial de 2026 traz um retrato político de dez estados brasileiros e oferece pistas importantes sobre o ambiente eleitoral do Maranhão, mesmo sem o estado ter sido incluído diretamente no levantamento.
A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 28 de abril de 2026, com 11.646 entrevistas presenciais e domiciliares. Foram ouvidos eleitores com 16 anos ou mais em dez estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Pará e Goiás. A margem de erro varia por estado: 2 pontos percentuais em São Paulo e 3 pontos percentuais nos demais estados, com 95% de nível de confiança.
Embora o Maranhão não esteja na amostra, os dados do Nordeste e do Norte, especialmente Bahia, Pernambuco, Ceará e Pará, ajudam a iluminar movimentos que também podem se refletir no eleitorado maranhense.
A pesquisa mede, entre outros pontos, a aprovação do governo Lula, a avaliação da gestão, a intenção de voto para presidente em primeiro e segundo turnos, o potencial de voto e rejeição de nomes nacionais, os hábitos de mídia do eleitorado, o posicionamento político declarado e o perfil socioeconômico da amostra.
O principal sinal é que Lula continua forte no Nordeste, mas já não aparece com a mesma intensidade política de 2022. Em Pernambuco, 61% aprovam o trabalho do presidente. Na Bahia, são 60%. No Ceará, 58%. Já no Pará, estado do Norte com perfil social importante para comparação com o Maranhão, a aprovação cai para 49%.
Na intenção de voto estimulada para presidente, Lula aparece com 53% em Pernambuco, 50% no Ceará e 49% na Bahia. No Pará, marca 35%. Flávio Bolsonaro registra 19% em Pernambuco, 23% no Ceará, 19% na Bahia e 32% no Pará.
Esses números sugerem que o Maranhão, historicamente mais próximo do comportamento eleitoral do Nordeste lulista do que do eleitorado do Centro-Sul, tende a manter vantagem para Lula. Mas a pesquisa também acende um alerta: a força do lulismo permanece, porém com sinais de desgaste e menor intensidade emocional.
No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 57% em Pernambuco, 56% no Ceará e 55% na Bahia. São percentuais altos, mas inferiores ao desempenho obtido pelo petista em 2022 em boa parte da região.
Outro dado relevante está nos hábitos de mídia. A Quaest mostra que as redes sociais já ocupam papel central na informação política. No Ceará, 44% dizem se informar principalmente pelas redes sociais. No Pará, são 43%. Em Pernambuco, 38%. Na Bahia, 30%.
Esse dado interessa diretamente ao Maranhão, onde a disputa política ainda passa por rádio, televisão e lideranças locais, mas vem sendo cada vez mais atravessada por WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube.
A pesquisa também mostra que o maior grupo em vários estados é formado por eleitores que se declaram independentes. Isso reforça uma característica importante do eleitor maranhense: o voto tende a ser mais pragmático do que ideológico, muito ligado à percepção de entrega, presença política, benefícios sociais, obras, renda e sensação concreta de melhora ou piora de vida.
Em resumo, a pesquisa não mede diretamente o Maranhão, mas oferece sinais relevantes. Lula segue competitivo e forte no Nordeste, o bolsonarismo mantém uma base minoritária, porém consolidada, e o eleitorado parece menos automático, mais digital e mais sensível ao desempenho cotidiano dos governos.

