Ex-secretário de Articulação Política recebeu apenas R$ 30 mil, enquanto Gleydson teve R$ 530 mil destinados à campanha
O grupo político comandado pelo governador Carlos Brandão parece ter perdido o interesse na candidatura de Júnior Viana a deputado estadual. Os espaços destinados ao emedebista durante a campanha apontam para um desprestígio do candidato junto ao núcleo político do Palácio dos Leões.
Conforme levantamento analisado pelo Café Quente Notícias, Júnior recebeu apenas R$ 30 mil para financiar sua campanha. Trata-se do menor repasse registrado entre os candidatos estaduais relacionados na planilha.
A distância para os nomes considerados prioritários pelo partido é expressiva. Gleydson, por exemplo, recebeu R$ 530 mil. São R$ 500 mil a mais do que o valor destinado a Júnior Viana. Na prática, a campanha de Gleydson recebeu quase 18 vezes o montante reservado ao ex-secretário de Articulação Política.
Do total de R$ 2,81 milhões relacionado no levantamento, os R$ 30 mil destinados a Júnior representam pouco mais de 1%.
O percentual é muito pequeno diante da expectativa política construída em torno de sua candidatura e, principalmente, da proximidade que ele demonstrava ter com o grupo governista.
Desprestígio gradual
Júnior Viana sempre alardeou que era tratado como uma das prioridades do MDB para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Sua nomeação para a Secretaria de Estado de Articulação Política reforçou a impressão de que ele integrava o núcleo de confiança do Palácio dos Leões.
A pasta tem papel estratégico na relação do governo com prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais.
A passagem pelo cargo, no entanto, durou somente três meses. O primeiro sinal mais evidente de enfraquecimento veio no momento da substituição. Júnior não conseguiu emplacar um nome de sua confiança como sucessor na secretaria.
A distribuição do fundo eleitoral acrescenta agora um elemento financeiro a essa perda de espaço. Em campanhas proporcionais, o volume de recursos não garante uma eleição, mas indica quais candidaturas recebem maior atenção da direção partidária e quais nomes são considerados mais competitivos ou estratégicos. A chapa do MDB a Assembleia é nomeada nos bastidores como “chapão da morte”, justamente pela presença de muitos nomes considerados fortes na disputa.
Critérios para distribuição do fundo
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha segue regras estabelecidas pela legislação eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral calcula e transfere a parcela destinada a cada partido com base em critérios como votação e representação das legendas na Câmara dos Deputados e no Senado.
Depois que o dinheiro chega ao diretório nacional, cabe à direção partidária definir os critérios internos de distribuição. Essas regras precisam ser aprovadas pela executiva nacional, divulgadas publicamente e informadas à Justiça Eleitoral. O TSE fiscaliza a aplicação dos recursos, mas não determina quanto cada candidato deve receber individualmente.
Isso significa que o valor destinado a cada campanha decorre de decisões tomadas dentro do próprio partido, respeitadas as reservas e demais obrigações previstas na legislação. Por essa razão, a distribuição do fundo também funciona como um termômetro das prioridades eleitorais da legenda.

