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Saída estranha do secretário três dias após a eleição e possíveis exonerações no segundo e terceiro escalões podem comprometer o repasse de informações estratégicas ao novo governo.
A exoneração de Márcio Ribeiro Machado da Secretaria de Estado de Governo (Segov), nesta quarta-feira (7), em meio às mudanças promovidas pelo governador Carlos Brandão após as eleições, desperta suspeitas sobre possíveis dificuldades na transição para a gestão de Eduardo Braide (PSD), eleito governador no último domingo (4).
A saída do secretário, responsável por uma das pastas estratégicas do Executivo estadual, ocorre justamente quando a administração precisa organizar o repasse de informações e garantir a continuidade dos serviços e projetos que serão assumidos pelo novo governo em janeiro de 2027.
Uma das versões que circulam para explicar a exoneração de Machado envolveria suspeitas de utilização da estrutura da Segov em benefício de familiares que disputaram as eleições deste ano. A suposta motivação ainda não foi confirmada.
Outra informação aponta que servidores do segundo e terceiro escalões estariam sendo pressionados a apresentar pedidos de exoneração, evitando que os desligamentos fossem formalizados diretamente pelo Palácio dos Leões.
A Segov concentra atribuições estratégicas, como articulação institucional, acompanhamento de projetos governamentais, coordenação administrativa e gestão de contratos e serviços públicos. A saída de seu titular, acompanhada de possíveis desligamentos de servidores experientes, poderia criar dificuldades para a equipe de transição de Braide.
A Lei Estadual nº 10.219/2015, que disciplina a transição republicana no Maranhão, estabelece mecanismos para garantir ao governador eleito acesso às informações necessárias à preparação de sua gestão, incluindo contratos, dívidas, obras em andamento e quadro de pessoal.
Nesse processo, a Segov desempenha papel importante pelo conhecimento acumulado sobre o funcionamento da máquina estadual. A nomeação de um novo secretário, sem a mesma familiaridade com os processos em andamento, poderia dificultar o repasse de informações, especialmente se também ocorrer o afastamento de servidores que detêm a memória administrativa da pasta.
A sucessão de exonerações, portanto, poderia representar mais do que uma simples reorganização de cargos. Em pleno início da transição, o eventual esvaziamento de setores estratégicos alimentaria suspeitas de uma tentativa de criar embaraços à chegada de Eduardo Braide ao Palácio dos Leões, em 5 de janeiro de 2027.

