Governador eleito do Maranhão evita declarar apoio a qualquer candidato no segundo turno e justifica decisão com a necessidade de manter diálogo com o futuro presidente da República.
O governador eleito do Maranhão, Eduardo Braide (PSD), decidiu não tomar partido na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao perfil Notícias Maranhenses, divulgada nesta segunda-feira (19), Braide confirmou que permanecerá neutro no segundo turno, marcado para domingo (25).
A decisão coloca o futuro governador à margem do embate presidencial em um momento em que lideranças políticas de diferentes partidos intensificam seus posicionamentos na reta final da campanha.
Ao justificar a neutralidade, Braide argumentou que recebeu votos de eleitores de diferentes correntes políticas e que pretende respeitar essa diversidade.
“Eu tive votos de todos os lados, então eu vou manter a coerência no sentido de que cada maranhense possa escolher aquele candidato a presidente que melhor o represente”, afirmou.
Neutralidade ou cálculo político?
Embora apresentada como uma demonstração de coerência, a decisão também permite a Braide evitar desgastes com qualquer um dos dois candidatos à Presidência.
Ao não se comprometer com Lula nem com Flávio Bolsonaro, o governador eleito preserva espaço para negociar institucionalmente com o próximo governo federal, independentemente de quem vencer a eleição.
A postura contrasta com a de lideranças maranhenses que já anunciaram publicamente seus apoios, como o governador Carlos Brandão (MDB), que declarou apoio à reeleição de Lula.
Braide aposta no diálogo com o futuro presidente
Na entrevista, Braide afirmou que sua prioridade será manter uma relação institucional com o presidente eleito, considerando a importância das parcerias federais para o desenvolvimento do Maranhão.
“Como governador eleito, eu terei a obrigação de me dar bem e me relacionar bem com qualquer presidente para não prejudicar o Maranhão. E é isso que a gente vai fazer”, declarou.
O argumento reforça a estratégia de separar a disputa eleitoral da futura relação administrativa entre o Palácio dos Leões e o Palácio do Planalto.
Na prática, Braide escolhe não assumir os custos políticos de um apoio presidencial nesta reta final. A neutralidade lhe garante liberdade de articulação com o vencedor, mas também o mantém distante de uma definição pública sobre os dois projetos políticos que disputam o comando do país.
Com a decisão, o governador eleito deixa a escolha nas mãos dos eleitores maranhenses e concentra suas declarações no compromisso de estabelecer uma relação institucional com quem ocupar a Presidência a partir de janeiro de 2027.

